Obama mantém foco em corte de déficit em discurso

Por Patricia Zengerle WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, citou a importância da redução de déficit de longo prazo, afirmando que o país precisa analisar linha por linha de seu orçamento para encontrar maneiras de economizar.

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"Algumas vezes, particularmente em momentos difíceis como este, você tem que fazer escolhas difíceis sobre onde gastar e onde economizar. Isso significa responsabilidade. Isso é um valor fundamental de nosso país. E isso tem que ser um valor que deve ser perseguido por nosso governo também", afirmou Obama.

Em discurso semanal de rádio, o presidente norte-americano responsabilizou o déficit orçamentário dos EUA, projetado em 8 trilhões de dólares ao longo da próxima década, em parte à recessão e ao aumento de custos com saúde, mas também criticou a administração republicana que o precedeu e parlamentos anteriores que aprovaram cortes de impostos de ricos e a criação de um caro programa de combate às drogas sem orçamento.

Obama assinou uma lei na sexta-feira que elevou a autoridade de empréstimos dos EUA para 14,3 trilhões de dólares e criou uma regra de pagamentos que requer que novos gastos sejam compensados por cortes em outras áreas.

"Agora, o Congresso terá que pagar o que gastar, assim como todo mundo", afirmou Obama no discurso.

Os democratas, que controlam o congresso dos EUA, criaram o termo "paygo" para amenizar críticas dos eleitores sobre aumento de gastos.

Investidores querem saber se a Casa Branca tem seriedade sobre responsabilidade fiscal e um fracasso em convencer o mercado pode atingir os mercados de dólar e bônus. Obama tem tentado fazer da prudência fiscal pedra central de sua mensagem sobre a economia enquanto gasta centenas de bilhões de dólares no curto prazo para incentivar crescimento e criação de empregos.

O presidente norte-americano propôs um orçamento com déficit recorde de 1,56 trilhão de dólares para 2010, equivalente a 10,6 por cento do produto interno bruto, mas projeta que o rombo vai cair pela metade em termos de percentual do PIB em 2013.

Ele também explicou sua decisão de usar uma ordem executiva para criar uma comissão, composta por republicanos e democratas, para ajudar a reduzir o déficit recorde do país e dívida crescente depois que o Congresso não criou uma comissão própria para cuidar do assunto.

"É fácil ficar na frente das câmeras e criticar os déficits. O que é difícil é fazer os déficits ficarem sob controle. É isso que precisamos fazer", disse Obama.

Uma comissão presidencial poderá produzir recomendações, mas não terá poderes sobre parlamentares. Republicanos temem participar por temerem dar à Casa Branca apoio político para aumento de impostos.

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