Obama lidera homenagem a vítimas de ataque no Arizona

EUA fazem minuto de silêncio por vítimas de ataque no Arizona, incluindo deputada; investigação traça perfil de atirador

iG São Paulo |

Os Estados Unidos, com o presidente Barack Obama à frente, realizaram nesta segunda-feira um minuto de silêncio em memória das vítimas do ataque que deixou seis mortos e 14 feridos, incluindo a congressista democrata Gabrielle Giffords, no sábado em Tucson, Arizona.

Às 11h de Washington (14h de Brasília), Obama e sua mulher, Michelle, saíram pela porta sul da Casa Branca para, com a cabeça baixa e os olhos fechados e sob o toque de um sino ao fundo, prestar homenagem às vítimas.

O casal presidencial, cercado pelo pessoal da Casa Branca, dirigiu-se posteriormente à sua residência sem fazer nenhuma declaração. No domingo, Obama convocou os cidadãos a fazer "um momento de silêncio" pelas vítimas do tiroteio.

"Amanhã peço aos americanos que façam um momento de silêncio para honrar as vítimas da tragédia absurda em Tucson, Arizona, e para os que seguem lutando para sobreviver", disse Obama em um comunicado. "Será uma chance para nos reafirmar como nação, seja na oração ou na reflexão, lembrando as vítimas e suas famílias", disse.

Obama também pediu que a bandeira americana seja hasteada a meio mastro em todos os edifícios públicos e militares do país e do resto do mundo "como um sinal de respeito às vítimas".

Extremismo

Em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, a secretária de Estado Hillary Clinton qualificou de "extremista" o homem que lançou o ataque, dizendo que as pessoas do mundo todo devem rejeitar as ideologias radicais.

nullA declaração foi feita durante um evento, em resposta a um estudante que questionou a vinculação, por parte da opinião pública americana, dos atentados do 11 de Setembro de 2001 com o mundo árabe em geral.

Hillary disse que isso se deve a percepções equivocadas e à influência da mídia. "Temos extremistas no meu país", disse.

"Uma jovem parlamentar, maravilhosa e incrivelmente corajosa, a parlamentar Giffords, acaba de ser baleada por um extremista no nosso país. Temos o mesmo tipo de problema. Então, em vez de nos mantermos em impasse, devemos trabalhar para evitar que extremistas de qualquer lugar possam cometer violência."

Indiciamento

O jovem americano Jared Loughner, de 22 anos, foi indiciado pelo atentado, que desencadeou um debate nos EUA sobre o acirramento da retórica política.

Enquanto o país, em estado de choque, se questiona se sua motivação seria política, os primeiros elementos da investigação apontam para um jovem solitário e atormentado que teria tido problemas mentais.

Sua foto no anuário do colégio de ensino médio em Tucson revela um jovem desgrenhado, com sorriso tímido. Seus colegas relataram a espiral negativa na qual se encontrava até ser suspenso da universidade pública no ano passado.

"Ele foi deslizando lentamente para uma crise psicótica. Algo se quebrou nele. Nem sempre foi assim", contou Caitie Parker, sua colega de sala, no Twitter.

Os textos do jovem publicados na internet revelam seu fascínio por ideologias extremas. Entre seus livros favoritos, citava "O Manifesto Comunista", de Marx e Engels, e "Minha Luta", de Adolf Hitler.

Seus escritos tomavam com frequência a forma de exercícios de lógica, expondo uma ideia antes de propor a conclusão. Com frequência falava, de forma confusa, em criar uma nova moeda.

Uma de suas atividades favoritas era o "sonho consciente", que descrevia assim: "Minha ambição é informar os sonhadores conscientes sobre uma nova moeda. Em alguns dias saberão que sou um sonhador consciente!"

Loughner foi indiciado no domingo por assassinato e tentativas de assassinatos, incluindo a da legisladora.

Aparentemente não foi a primeira vez que o acusado seguiu Giffords. Segundo a declaração de um agente da FBI que acompanhava a acusação, os investigadores encontraram na casa do agressor uma carta de Giffords agradecendo sua presença em uma de suas reuniões públicas em 2007.

Juntamente com a carta, em um cofre, encontraram um envelope com as frases "Eu planejei", "Meu assassinato" e "Giffords" escritas à mão.

Em entrevista à rede de televisão Fox News, o comissário do condado de Pima, Clarence Dupnik, referiu-se mais tarde a outra carta de Loughner, na qual "dizia que ia matar essa mulher irritante".

Tea Party

O ataque acirrou ainda mais o debate político nos Estados Unidos sobre o tom agressivo de algumas campanhas políticas. Uma das figuras mais populares do movimento conservador Tea Party, a ex-candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin chegou a incluir Giffords em uma lista de políticos que o movimento deveria tentar remover do poder nas eleições de novembro.

Giffords acabou reeleita com uma diferença de apenas 4 mil votos sobre seu adversário republicano, apoiado pelo movimento conservador Tea Party. A lista divulgada por Palin, composta por 20 nomes, vinha ilustrada com o desenho de uma mira telescópica, comum em algumas espingardas. Na época, Giffords respondeu dizendo que "quando as pessoas tomam esse tipo de atitude (colocam miras em nomes de políticos), elas precisam ter em mente as consequências que tais ações podem acarretar."

Com o discurso alimentado pela crise econômica e pela oposição às políticas de Obama, o movimento conservador de direita, nascido em berço republicano, não tem comando central e inclui centenas de grupos espalhados pelo país. Em suas críticas aos rumos da economia, a desconfiança em relação ao governo atual e a bandeira pela limitação do papel do Estado, os membros do movimento demonstram descontentamento em relação a democratas e a republicanos menos radicais.

Após o ataque de sábado, Sarah Palin postou em sua página do Facebook uma mensagem em que oferece “sinceras condolências” às famílias de Giffords e das vítimas do ataque.

Alvo

Consultado sobre se estava claro que Giffords, de 40 anos, era o alvo, Dupnik respondeu: "Não há nenhuma dúvida e de que esse foi um ato de um único indivíduo muito perturbado."

Segundo a acusação, Loughner comprou sua arma em novembro em uma loja de Tucson. Dois meses antes, o Pima Community College o suspendeu, exigindo-lhe uma autorização psiquiátrica atestando que não era um risco para os demais.

Em e-mail premonitório, reproduzido no jornal Washington Post, a estudante Lynda Sorenson havia advertido que Loughner poderia ser "um desses cuja foto aparece nos jornais depois de entrar em uma sala de aula com uma arma automática".

*Com AFP e Reuters

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