O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgou nesta quarta-feira seu novo plano de regulação financeira, que definiu como uma transformação em uma escala que não era vista desde as reformas que se seguiram à Grande Depressão. O projeto de 88 páginas concede ao Federal Reserve (ou Fed, como é conhecido o Banco Central americano) o poder de fiscalizar todo o sistema financeiro.

A proposta pede ao Congresso que autorize o governo a desmantelar grandes companhias que enfrentam dificuldades financeiras, evitando assim que estas possam contagiar o mercado como um todo.

O projeto também solicita a autorização do Congresso para que a administração federal possa regular operações financeiras complexas, como derivativos.

O plano de regulação prevê ainda a criação de uma agência federal de proteção dos consumidores.

Irresponsabilidade
De acordo com o líder americano, a crise financeira do ano passado ocorreu devido à uma cultura de irresponsabilidade e à falta de instrumentos de fiscalização.

Segundo Obama, o projeto oferece ''medidas regulatórias muito fortes, que acreditamos poderão prevenir que esta crise aconteça novamente''.

O líder da oposição republicana na Câmara dos Representantes, John Boener, atacou a proposta dizendo que ela fará com que ''o governo decida o valor de taxas de juros que podem ser cobradas sobre cartões de créditos, que o governo decida que tipo de produtos estão disponíveis''.

O presidente dos Estados Unidos tem a meta ambiciosa de assinar a proposta de regulação financeira como projeto de lei até outubro deste ano.

Mas será um desafio para a administração americana cumprir esse prazo, já que o governo também espera conseguir a aprovação pelo Congresso de um amplo programa de reforma do setor de saúde, até a mesma data.

Representantes do Partido Republicano vêm criticando os projetos econômicos do atual governo e a proposta de reforma para a área de saúde por julgar que ambas ampliam em excesso o papel do governo nestes setores.

A aprovação destas propostas ousadas poderá em tese até ocorrer, mas é improvável que estas sejam referendadas pela Câmara dos Representantes sem que um extenso debate ocorra antes e sem que sejam feitas possíveis concessões por parte do governo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.