Obama lança iniciativa para mundo sem armamento nuclear

Praga, 5 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, lançou hoje em Praga uma iniciativa para eliminar no futuro os arsenais nucleares existentes no mundo, uma proposta que ganha mais relevância após o lançamento de um foguete norte-coreano.

EFE |

Obama, em Praga para uma cúpula com a União Europeia (UE), apresentou hoje sua proposta em discurso em uma praça de Praga, diante de cerca de 20 mil pessoas - segundo as autoridades locais -, que acompanharam com entusiasmo cada palavra do presidente.

"A existência de milhares de armas nucleares é o legado mais perigoso da Guerra Fria", disse o presidente americano, em uma capital que há apenas 20 anos formava ainda parte do bloco comunista e vivia os efeitos da Cortina de Ferro.

Obama expressou o compromisso de seu país - "a única potência que fez uso de uma bomba atômica e tem, portanto, o dever moral de agir" - em "buscar a paz e a segurança de um mundo sem armas nucleares".

Apesar de a Guerra Fria ter terminado, "o risco de um ataque nuclear aumentou", e mais países contam com armamento atômico e continuam os testes nucleares.

Obama destinou uma parte de seu discurso ao lançamento norte-coreano: a Coreia do Norte "violou as regras" e, portanto, "chegou o momento de uma resposta internacional dura", disse.

"A Coreia do Norte deve aprender que "o caminho para o respeito internacional não é alcançado através das ameaças e das armas ilegais", afirmou.

A iniciativa de Obama conta com três pilares: reduzir e, em um futuro, eliminar os arsenais nucleares, deter a proliferação de armas nucleares em mais países e impedir que os terroristas adquiram armas ou materiais nucleares.

Entre outras medidas, o presidente se comprometeu a buscar que seu país assine, e o Senado ratifique, o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, firmado por 148 países mas que só entrará em vigor se for aceito por EUA, China, Índia, Indonésia, Paquistão, Israel, Egito e Coreia do Norte.

Além disso, Obama buscará negociar "um novo tratado internacional que coloque fim de maneira verificável à produção de materiais físseis destinados a armamento nuclear" e convocará uma cúpula internacional para tratar sobre a não-proliferação.

Propôs também "um novo marco para a cooperação civil nuclear", que incluiria um banco internacional de combustível nuclear, de tal modo que os países pudessem ter acesso à energia atômica sem aumentar os riscos de proliferação.

"Nenhuma iniciativa terá êxito se for baseada na negação de direitos aos países que respeitarem as regras. Devemos canalizar o poder da energia nuclear pelo bem de nossos esforços no combate à mudança climática e para proporcionar oportunidades a todos os povos", disse.

Em seu discurso, o presidente americano se referiu também especificamente ao programa nuclear iraniano, e disse que seu Governo buscará uma aproximação a Teerã baseado nos interesses e no respeito mútuos, mas, em troca, o Irã deve renunciar a um caminho que levaria a "uma potencial corrida de armas na região". EFE mv/an

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