Obama lança, em Berlim, mensagem de unidade transatlântica

Ingrid Haack Berlim, 24 jul (EFE).- O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, lançou hoje em Berlim uma mensagem de unidade ao mundo e apostou em uma maior cooperação entre Estados Unidos e Europa para derrubar os novos muros que foram sendo erguidos após a Guerra Fria.

EFE |

Em discurso de 25 minutos perante a Coluna da Vitória, que, segundo dados da Polícia, foi visto por 200 mil pessoas, Obama aproveitou o significado histórico de Berlim para estender todos os tipos de pontes.

"Os Estados Unidos e a Europa não podem olhar só para si mesmos, têm que estender novas pontes para uma longa cooperação, que é necessária para fazer frente aos desafios do século XXI", disse.

Ele lembrou que, no passado, houve bons exemplos de luta conjunta em defesa da dignidade do homem, como a ponte aérea há 60 anos, quando pilotos americanos abasteceram do ar a cidade, durante mais de um ano, por causa do bloqueio soviético.

Embora seu discurso tenha tido amplas passagens dirigidas aos berlinenses, sempre aproveitou-os para ligar a algum tema ou conflito da atualidade, problemas que, disse, sempre têm uma vertente global, como o caso da papoula do Afeganistão, que chega em forma de heroína ao resto do mundo.

Obama aproveitou o tema do Afeganistão para pedir à Alemanha um maior compromisso militar e fiel à linha que todos os observadores esperavam dele, ofereceu estreitar a cooperação internacional e "criar uma nova aliança global", mas em troca de um maior esforço europeu.

"É o momento de reafirmar nosso compromisso na luta contra o terrorismo. Precisamos de suas tropas para combater a Al Qaeda e os talibãs no Afeganistão", disse, dirigindo-se explicitamente à Alemanha, que até agora resiste em enviar mais tropas.

Darfur, Irã, Iraque, Oriente Médio, Líbano: Obama falou sobre todos os conflitos da atualidade, sempre com o tom de que nenhum deles pode ser resolvido por um único país, mas somente em união, e através de uma cooperação na qual "os aliados se ouçam e confiem mutuamente".

"É preciso derrubar os novos muros erguidos desde a Guerra Fria, os muros contra imigrantes ou entre muçulmanos, judeus e cristãos", exclamou, em meio à aprovação do público.

"A história demonstra que é possível, pois no passado foram derrubados muitos muros", acrescentou, para citar como exemplo o caso de Belfast, onde católicos e protestantes começaram uma nova relação, ou os Bálcãs e a África do Sul, onde "um povo corajoso" acabou com o regime do apartheid.

Obama se distanciou da política externa de George W. Bush, e apesar de não ter mencionado isso explicitamente, defendeu uma maior cooperação com a Rússia, uma luta efetiva contra a mudança climática e uma redução das armas nucleares em todo o planeta.

Ele reconheceu que os Estados Unidos nem sempre tiveram um comportamento exemplar, mas ressaltou que, desde a chegada dos primeiros colonos da Inglaterra, a idiossincrasia do país está ligada à liberdade e à defesa da dignidade humana.

Agora se trata de "construir um novo mundo" e de "demonstrar a nossos filhos que não há forma melhor de dar um exemplo que nos levantando contra a tortura e em defesa do Estado de direito, contra a discriminação racial e religiosa".

"Povo de Berlim, povo do mundo. Este é nosso momento, é nossa hora. A magnitude do resto é muito grande, mas os americanos são um povo cheio de esperança", acrescentou, para concluir dizendo: "Construamos um mundo novo".

A visita de Berlim, a primeira etapa européia em sua viagem internacional e o único local no qual tinha previsto pronunciar um discurso, começou com uma reunião com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com o ministro de Assuntos Exteriores, Frank-Walter Steinmeier.

Segundo os anfitriões, as duas reuniões transcorreram em um ambiente "aberto" e "profundo".

Steinmeier ressaltou a coincidência de opiniões que houve com o aspirante democrata na análise dos conflitos internacionais e a política externa, em geral.

"Voltei a constatar nesta conversa que nossa filosofia de que deve haver cooperação em vez de confronto também é seu objetivo em política externa", disse Steinmeier, após se despedir de seu convidado.

Depois de passar a noite em Berlim, Obama deve seguir, amanhã, viagem a Paris. EFE ih/db

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