Obama lança críticas a montadoras em meio a impasse sobre ajuda

Paco G.Paz.

EFE |

Washington, 7 dez (EFE).- O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou hoje os erros de gestão e os altos salários dos diretores das montadoras, mas disse ser preciso salvar as empresas do setor por serem a "espinha dorsal" da indústria do país.

"Não podemos deixá-las cair", disse, em entrevista à rede de TV "NBC", consciente dos milhões de empregos que dependem de maneira direta ou indireta dessa indústria.

As declarações de Obama acontecem em um momento de especial tensão no Congresso, que está negociando com a Casa Branca durante este fim de semana a melhor forma de ajudar a indústria automobilística, abalada pela queda de suas vendas e o endividamento.

Na entrevista, Obama disse que as chamadas "Três Grandes de Detroit", como são conhecidas Ford, General Motors (GM) e Chrysler, "cometeram erros estratégicos de maneira repetitiva".

"Eu fui no passado um duro crítico, porque não souberam se adaptar aos novos mercados e construir carros menores e eficientes", assinalou Obama.

No entanto, reconheceu que essas empresas são "a espinha dorsal da indústria manufatureira do país, empregadores gigantescos e que milhões de pessoas dependem delas, direta ou indiretamente".

Portanto, "não podemos deixar que se afundem", disse Obama, que esclareceu que, em troca, as empresas terão que fazer grandes sacrifícios.

"É necessário haver ajustes em todos os níveis, desde a direção, aos credores e acionistas (...) todos têm que entender que o modelo de negócio que possuem não é sustentável", afirmou.

"Se querem que os contribuintes vão a seu resgate não podem deixar de lado as mudanças que tinham que ser feitas há 20 ou 30 anos e reconhecer que, no futuro, a indústria não será tão grande como foi nas últimas décadas", argumentou o democrata.

Nesse sentido, um dos senadores mais influentes, o democrata Chris Dodd, que preside a Comissão de Bancos, frisou que as três empresas têm que diminuir o número de seus diretores, em troca de receber ajuda.

Em entrevista à rede "CBS", Dodd disse que o resgate pode ajudar as empresas a curto prazo, mas em um período mais longo, destacou que a Chrysler possivelmente acabará se fundindo com outra empresa.

O senador afirma que as negociações estão avançadas e que o acordo pode ser levado ao Congresso nos próximos dias.

Obama assegurou hoje que o plano de resgate será conduzido sob uma grande supervisão, para evitar que se dê às montadoras "US$ 20 bilhões, e dentro de seis meses acabem pedindo mais".

O presidente eleito se queixou que, apesar da deterioração do setor e da demissão de milhares de pessoas nos últimos anos, os executivos das companhias seguiram com salários altos.

Segundo Obama, uma de suas metas quando chegar ao Governo será introduzir uma nova "ética dos negócios", para evitar esse tipo de situações.

"Se é um diretor que ganha ao ano vários milhões de dólares, e ao mesmo tempo está demitindo gente, então precisa abrir mão de parte de sua remuneração", exemplificou Obama.

Durante o fim de semana, a Casa Branca e os líderes do Congresso tentam chegar a um acordo sobre como executar a ajuda requerida pelas montadoras.

O pré-acordo alcançado até agora contempla que se pode entregar às empresas US$ 15 bilhões, sempre e quando as firmas cumpram seus planos de reestruturação prometidos.

A minuta do plano, segundo o jornal "The Washington Post", contempla a criação da figura de um supervisor que, do Governo, supervisione o emprego correto do dinheiro concedido.

Entre os pontos que discutem agora Casa Branca e Congresso é quem deve nomear este poderoso supervisor, que possivelmente dependerá do Departamento de Comércio.

A Casa Branca quer que seja nomeado imediatamente por George W.Bush, enquanto a maioria democrata do Congresso quer que seja o presidente eleito, Barack Obama,que toma posse em 20 de janeiro. EFE pgp/rr

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