Obama interpretou mal oferta de Raúl Casto por diálogo, afirma Fidel

O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou em artigo publicado em Cuba na terça-feira que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, interpretou mal a oferta de seu irmão Raúl, o atual líder cubano, para discutir assuntos polêmicos com o governo americano.

BBC Brasil |

No início do mês, Raúl Castro havia afirmado estar aberto a discutir sobre qualquer assunto com os Estados Unidos, incluindo temas como direitos humanos e liberdade de imprensa.

Obama respondeu à oferta dizendo que seu governo pretende melhorar as relações com Cuba e que via a oferta de Raúl como um sinal de avanço, mas que o governo cubano deveria primeiro soltar prisioneiros políticos e reduzir a taxação às remessas de cubanos no exterior.

"Sem dúvida que o presidente interpretou mal a declaração de Raúl", afirmou Fidel Castro em um artigo publicado no site oficial cubadebate.cu.

"Ao afirmar que está disposto a discutir qualquer tema com o presidente dos Estados Unidos, o presidente de Cuba expressa que não teme abordar qualquer tipo de assunto. É uma mostra de valentia e de confiança nos princípios da revolução", diz Fidel.

Cubanos presos

Segundo o ex-presidente, "ninguém deve se assombrar" com o fato de seu irmão falar em indultar os presos políticos e enviá-los aos Estados Unidos desde que o governo americano aceite soltar cinco cubanos presos em Miami acusados de terrorismo.

Fidel, que havia liderado Cuba desde a revolução comunista de 1959, passou o poder ao irmão após submeter-se a uma operação gástrica em julho de 2006. Desde então, não apareceu mais publicamente e apenas algumas imagens suas foram divulgadas.

Apesar de afastado oficialmente da vida pública, ele publica regularmente artigos na mídia local. As "Reflexões de Fidel", como são chamados os artigos, têm aumentado de frequência nos últimos tempos - o artigo da terça-feira foi o 13º em duas semanas.

Em seu último texto, Fidel Castro também afirma que se Obama não suspender o embargo a Cuba, estabelecido em 1962, "pode-se esperar por esse caminho um fracasso seguro como o de todos seus antecessores".

"Vivemos novos tempos. As mudanças são inevitáveis. Os líderes passam, os povos permanecem. Não teremos que esperar milhares de anos, só oito serão suficientes, para que em um carro mais blindado, um helicóptero mais moderno e um avião mais sofisticado, outro presidente dos Estados Unidos, sem dúvida menos inteligente, prometedor e admirado no mundo do que Barack Obama, ocupe esse inglorioso cargo", afirma Fidel.

Nos últimos meses, vem aumentando a pressão de países latino-americanos contra os Estados Unidos pelo levantamento do bloqueio econômico a Cuba. A questão foi o principal entrave a um consenso no documento final da Cúpula das Américas, realizada em Trinidad e Tobago no último fim-de-semana.

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