Obama institui conselho de assessores para enfrentar crise econômica

Macarena Vidal. Washington, 26 nov (EFE) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, assegurou hoje que terá um plano para resgatar a economia pronto desde seu primeiro dia de mandato, ao anunciar um novo organismo que ficará encarregado de supervisionar as medidas contra a crise. Em entrevista coletiva em Chicago, a terceira em três dias, Obama também defendeu a política de nomeações para seu Governo, onde até agora abundam pessoas que ocuparam cargos no mandato do último presidente democrata, Bill Clinton. O novo organismo, o Conselho Assessor para a Recuperação Econômica, será liderado pelo ex-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) Paul Volcker, de 81 anos. O auxiliar de Volcker será Austan Goolsbee, um economista da Universidade de Chicago. Ele é um dos pensadores que mais teve influência em minhas idéias sobre questões econômicas, afirmou Obama sobre o segundo no comando do novo órgão.

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Por sua parte, Volcker "forneceu uma profunda compreensão dos mercados financeiros, uma ampla experiência na gestão das crises econômicas e um profundo conhecimento sobre a natureza global desta crise em particular", ressaltou Obama.

O presidente eleito justificou a necessidade deste novo organismo com que "às vezes, Washington pode estar isolada demais".

O Conselho Assessor, explicou, será formado por "indivíduos diferentes procedentes de diversos campos fora do Governo", como do mundo acadêmico, empresarial ou dos sindicatos.

A missão do organismo será prestar assessoria sobre a formulação, implementação e avaliação do plano do Governo de Obama para reativar a economia, e apresentará relatórios periodicamente ao presidente eleito e à sua equipe.

Na entrevista coletiva, Obama fez referência às acusações de que está nomeando muitas pessoas que já ocuparam postos na Administração do presidente Bill Clinton e que isso contradiria as promessas de mudança que centraram sua campanha eleitoral.

Obama, que já anunciou o atual presidente do Fed de Nova York, Tim Geithner, como próximo secretário do Tesouro, afirmou que, por Clinton ter sido o último presidente democrata, "se colocasse no Tesouro pessoas que nunca tinham tido experiência na Administração Clinton, isso significaria que seria gente sem experiência em Washington".

"Seria motivo de preocupação se, nestes tempos tão complicados devido à situação econômica, eu nomeasse alguém sem experiência", afirmou o presidente eleito, que assegurou que busca escolher pessoas que aliem "experiência com idéias originais".

Obama assegurou que seu objetivo é combater a crise desde o primeiro dia de seu mandato, que começará em 20 de janeiro.

"A ajuda está a ponto de chegar", prometeu Obama, no mesmo dia em que o Governo divulgou uma série de dados negativos sobre o desempenho da economia.

Os pedidos de bens duráveis diminuíram 6,2% em outubro, a maior queda em dois anos, enquanto o gasto dos consumidores - mais de dois terços da atividade econômica nos Estados Unidos - diminuiu 1%, a maior contração desde setembro de 2001.

Entre julho e setembro, a despesa dos consumidores teve sua maior redução em 28 anos, e a taxa de atividade econômica se contraiu a um ritmo de 0,5% ao ano, segundo os dados do Departamento de Comércio americano.

Obama prometeu fazer da luta contra a crise sua prioridade quando chegar ao poder.

Esta semana, o presidente eleito já concedeu três entrevistas para apresentar sua equipe econômica, que, além de Volcker e Geithner, incluirá Larry Summers, ex-secretário do Tesouro no mandato de Clinton e que agora liderará o Conselho Econômico Nacional da Casa Branca.

Espera-se que na próxima semana Obama anuncie nomeações de sua equipe de Segurança Nacional, entre as quais acredita-se que esteja a senadora Hillary Clinton como secretária de Estado e Robert Gates à frente do Departamento de Defesa. EFE mv/db

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