Naweed Haidary Cabul, 19 jul (EFE).- O candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, iniciou hoje uma viagem a vários países da Europa e do Oriente Médio com uma visita surpresa ao Afeganistão, nação que, afirmou, se tornará uma prioridade estratégica se chegar à Presidência dos Estados Unidos.

Uma fonte do Palácio Presidencial afegão informou à Agência Efe que Obama aterrissou na manhã de hoje no Aeroporto de Cabul.

Obama deve se reunir com o presidente afegão, Hamid Karzai, assim como com outros membros do Governo e com os generais que comandam as forças americanas no Afeganistão, segundo a fonte, que não revelou o tempo de duração da visita.

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores afegão Ahmad Bahin afirmou à agência "PAN" que Obama se encontrará hoje com parte das tropas dos Estados Unidos e que amanhã se reunirá com Karzai.

Fontes militares dos EUA consultadas pela Agência Efe se negaram a divulgar a agenda do candidato à Casa Branca, e a Embaixada americana em Cabul não confirmou se Obama está em solo afegão.

Dos quase 53 mil militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desdobrados no Afeganistão, aproximadamente metade é americana, e Washington ainda tem sob seu comando direto outros 12 mil soldados.

A viagem de Obama inclui escalas em Israel, Jordânia, França, Alemanha e Reino Unido.

O candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain, já disse que Obama poderia ir ao Iraque neste final de semana, mas Obama escolheu o Afeganistão como primeiro destino.

O senador por Illinois tinha previsto visitar o país antes das eleições, e a imprensa americana garantiu que seria nesta viagem ao exterior, embora o comitê eleitoral do candidato democrata não tenha confirmado por razões de segurança.

Na última terça-feira, Obama reiterou seu compromisso de acabar com o conflito no Iraque se vencer as eleições e insistiu em que após completar esse objetivo, se concentrará em lutar contra a rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden, e a insurgência talibã no Afeganistão.

Segundo Obama, a concentração no Iraque favoreceu uma deterioração da situação no Afeganistão e tornou possível que a Al Qaeda se fortalecesse na fronteira com o Paquistão.

É no sul do Afeganistão, fronteiriço com o Paquistão, onde acontecem os combates mais violentos entre as forças internacionais afegãs e a insurgência talibã, que tem seus maiores redutos nas províncias de Helmand e Kandahar.

Do outro lado da fronteira, no noroeste do Paquistão, a inteligência americana suspeita que estejam escondidos os líderes da insurgência talibã e da Al Qaeda, entre eles Bin Laden.

O Governo paquistanês, formado após as eleições de fevereiro, apostou em dialogar com os grupos islâmicos que queiram depor as armas, medida que não foi bem recebida em Cabul e que levou Karzai a afirmar que o Exército afegão golpearia líderes talibãs no Paquistão se fosse necessário. EFE nh/wr/db

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