Obama inicia mandato buscando enviar primeiros sinais de mudança ao mundo

Céline Aemisegger. Washington, 25 jan (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, começou com determinação sua primeira semana na Casa Branca, ao tomar decisões e assinar decretos voltados a reverter a direção seguida pela Era Bush, e enviar, assim, os primeiros sinais de mudança ao mundo.

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No curto período de tempo que está na Casa Branca, cinco dias exatamente, Obama iniciou seu mandato com força e, com as primeiras declarações, decisões e ordens, começou a romper com oito anos de Presidência republicana e algumas das políticas mais impopulares do ex-líder George W. Bush.

"Obama está claramente colocando ênfase nestes primeiros dias em enviar mensagens ao mundo (...) de que somos diferentes, mudamos", afirmou Jessica Tuchman Mathews, presidente da organização Carnegie Endowment for International Peace, em entrevista publicada hoje no jornal "San Francisco Chronicle".

Nas primeiras horas como presidente, Obama tomou suas primeiras decisões: congelou, com o objetivo de revisá-las, as medidas aprovadas de última hora por Bush, e pediu aos juízes em Guantánamo a suspensão, durante 120 dias, dos julgamentos dos suspeitos de terrorismo detidos nesta prisão.

Este foi o primeiro sinal inequívoco que o novo presidente enviou aos americanos e ao mundo inteiro de que a Era Bush tinha terminado.

Em um contexto no qual a crise econômica ameaça elevar a taxa de desemprego nos Estados Unidos até dois dígitos, o novo governante congelou, de uma tacada, os salários de 100 funcionários da Casa Branca que ganhavam mais de US$ 100 mil.

Cumprindo sua promessa de governar com transparência, pediu a todos os organismos governamentais que façam o disposto na Lei de Liberdade de Informação, e no terreno ético impôs limites aos lobistas.

Essa ordem já causou polêmica nos Estados Unidos, pois o Governo quer abrir exceção a dois membros do novo Executivo.

Em outra mensagem clara que pretende reverter algumas das políticas mais impopulares de Bush, Obama pediu às autoridades militares planos adicionais para executar uma saída responsável do Iraque e revisar totalmente a situação no Afeganistão.

No plano econômico, o presidente decidiu manter reuniões diárias com a equipe encarregada desta área e iniciou uma campanha para conseguir a aprovação de sua proposta para resgatar a economia americana.

No entanto, a ordem que talvez mais impacto tenha causado e mais reações provocado foi a que assinou em seu segundo dia de mandato para fechar a prisão de Guantánamo dentro de um ano, eliminar as prisões secretas da CIA (agência central de inteligência dos EUA) e proibir a tortura.

Esse também foi o sinal mais claro de que não tolerará as políticas do ex-presidente na luta contra o terrorismo.

Apesar disso, já há vozes no país, sobretudo do lado republicano, que advertem de que assinar um decreto para fechar Guantánamo, por mais simbólico que seja, é algo "fácil" de fazer, mas difícil de executar, como afirmou esta semana em entrevista John McCain.

Os críticos que alertam para problemas ganharam força depois que veio a público que a rede terrorista Al Qaeda estabeleceu no Iêmen uma nova estrutura regional que possui como um dos líderes um ex-detento de Guantánamo.

O terceiro dia de trabalho de Obama foi marcado por outra ação voltada a desmantelar algumas políticas adotadas por Bush: a assinatura de uma ordem executiva que libera o financiamento aos grupos que praticam ou informam sobre o aborto no exterior.

Ao contrário das outras ordens, que foram assinadas na presença da imprensa, desta vez o líder preferiu ficar longe dos holofotes.

Em política externa, o novo presidente dos EUA deixou rapidamente claro que se comprometerá com o processo de paz no Oriente Médio, ao ligar aos líderes israelenses e palestinos em seu primeiro dia de trabalho, e nomear um enviado especial para a região.

Em um ato no Departamento de Estado junto à secretária Hillary Clinton e a seu vice-presidente, Joe Biden, Obama disse à comunidade internacional que, sob seu mandato, predominará a diplomacia multilateral frente à ação militar unilateral promovida por Bush.

As decisões tomadas até agora por Obama foram anunciadas durante sua campanha e no período de transição, e confirmam sua vocação de mudança. O difícil agora será executar as novas medidas e encontrar apoio bipartidário.

Enquanto Obama se dispõe a reverter o curso da era Bush, os americanos e o mundo inteiro terão que ter paciência e aguardar para ver os primeiros resultados. EFE cae/db

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