Obama indica terceiro republicano para gabinete de Governo

Macarena Vidal. Washington, 3 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou hoje a indicação do senador republicano Judd Gregg para o Departamento de Comércio, o terceiro da oposição convidado para seu gabinete.

EFE |

Em um ato na Casa Branca, no qual não foram permitidas perguntas da imprensa, o presidente americano afirmou: "Em tempos nos quais navegamos pela tempestade em que se transformou nossa economia, não posso pensar em um melhor timoneiro que Judd Gregg".

O senador por New Hampshire, de 55 anos, é o republicano de maior destaque na Comissão de Orçamento do Senado, onde cultivou a fama de ser uma pessoa propícia ao consenso e de responsabilidade fiscal.

Com a nomeação, Obama quase tapa o último buraco de seu gabinete, furado depois que, em 4 de janeiro, o hispânico Bill Richardson, o primeiro indicado para o cargo, retirou seu nome por causa de uma denúncia de corrupção no Novo México, o estado do qual é governador.

Hoje, no entanto, Obama recebeu a notícia de que terá que fazer uma nova indicação para a Secretaria de Saúde, já que Tom Daschle retirou sua candidatura pressionado por um escândalo de sonegação fiscal.

Ao nomear Gregg para o Departamento de Comércio, Obama envia um sinal de confiança ao setor empresarial, que teme o caráter protecionista dos democratas.

Especialista em assuntos financeiros, o senador republicado foi um dos arquitetos do plano de US$ 700 bilhões aprovado no ano passado para socorrer a economia.

Apesar de seu partido rejeitar uma maior intervenção do Governo na economia, neste caso, Gregg considera o mal necessário.

Obama fez alusão à experiência do indicado ao destacar que Gregg "sabe de todos os ângulos o que faz a economia funcionar" e domina "cada faceta da política pública".

"Não concordamos em tudo... Sobre eu ter ganho as eleições presidenciais, por exemplo. Mas, sim, concordamos que os Estados Unidos precisam de uma economia que funcione", disse.

"Sabemos que a única maneira de resolver os grandes desafios de nosso tempo é deixar de lado ideologias rançosas e a politicagem mesquinha, e fazer uso do que funciona", acrescentou o presidente.

Como secretário de Comércio, afirmou Obama, o senador se encarregará de "deixar claro ao mundo que os Estados Unidos continuam abertos a negócios", e vai se "certificar de que os fundamentos da economia são sólidos".

Por sua vez, Gregg reconheceu que sua indicação é anunciada em um momento difícil para a economia, razão pela qual disse que "chegou a hora de governar, e de governar bem".

"Não é hora de sermos partidários (...). Não é hora de nos colocarmos a berrar do alto de nossas posições ideológicas", declarou o legislador.

O senador também fez referência ao pacote econômico de US$ 819 bilhões em debate no Congresso.

Segundo Gregg, o plano, que recebeu várias críticas dos republicanos, é "extraordinariamente ousado, agressivo, efetivo e exaustivo".

A nomeação do senador deve receber o sinal verde do Senado em uma audiência específica. Porém, a saída de Gregg do Congresso só será possível graças um acordo com o governador de New Hampshire, John Lynch, que terá que nomear um republicano para a cadeira que ficar vaga.

Se Lynch, que é democrata, não tivesse aceito o acordo e decidisse nomear um correligionário, os democratas alcançariam a chamada "supermaioria" de 60 cadeiras no Senado, que impediria a oposição republicana de bloquear qualquer medida na casa.

Funcionários do Governo de New Hampshire disseram que Lynch pensa em nomear a republicana Bonnie Newman para a cadeira de Gregg.

Além do indicado para o Departamento de Comércio, os outros dois republicanos no Governo Obama são o secretário de Defesa, Robert Gates, e o secretário de Transporte, Ray LaHood. EFE mv/sc

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