Obama indica Bernanke para mais quatro anos à frente do Fed

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta terça-feira a indicação de Ben Bernanke para um novo mandato de quatro anos à frente do Banco Central americano, o Federal Reserve (Fed). Obama interrompeu suas férias em Marthas Vineyard, um sofisticado local de veraneio no Estado de Massachussetts, para fazer o anúncio.

BBC Brasil |

Ele fez referência ao fato de Bernanke, 55, ser um especialista no tema da Grande Depressão dos anos 1930.

"Como um especialista nas causas da Grande Depressão, tenho certeza de que Ben nunca imaginou fazer parte de uma equipe responsável por prevenir outra", disse Obama, tendo Bernanke ao seu lado.

"Mas, por causa de seu histórico, de seu temperamento, de sua coragem e sua criatividade, é exatamente isso que ele ajudou a conseguir. E é por isso que o estou indicando novamente para outro mandato como presidente do Federal Reserve."
Desde o advento da crise, Bernanke tomou uma série de ações que teriam contribuído para aplacar os efeitos da recessão econômica americana.

Entre elas, cortou a taxa de juros americana para um índice próximo a zero, em dezembro, realizou empréstimos diretos para companhias a fim de evitar que elas entrassem em concordata e promoveu o resgate de grandes empresas, como a AIG, de modo a estabilizar os mercados.

Em seu pronunciamento, Obama disse que o chefe do Fed ''encarou um sistema financeiro à beira do colapso com calma e sabedoria; com ações ousadas e sabedoria e pensamentos que fugiram ao habitual e que colocaram um freio em nossa queda financeira".

Contraposição
O anúncio foi feito antes da abertura dos mercados, no que muitos analistas acreditam ser uma tentativa de fazê-los digerir melhor números a serem divulgados ao longo desta terça-feira.

O escritório orçamentário da Casa Branca deve divulgar um aumento na estimativa de déficit para a década que se inicia no próximo dia 1º de outubro.

Estima-se que os dados oficiais apontarão um déficit de US$ 9 trilhões nos próximos dez anos, cerca de US$ 2 trilhões a mais que a estimativa anterior.

Observadores questionam a capacidade do governo de levar a cabo reformas importantes, como a do sistema de saúde, tendo de abrir mão desses recursos.

Em seu discurso ao anunciar a indicação de Bernanke, Obama elogiou as iniciativas tomadas pelo Banco Central e disse que espera que o chefe do BC americano continue ajudando a construir o que ele chamou de "nova base para o crescimento e a prosperidade".

"Vamos continuar trabalhando pela reforma do sistema de seguro-saúde, cujos custos e práticas discriminatórias estão arruinando nossas famílias, nossas empresas e nossos governos", afirmou Obama.

"Vamos continuar a construir uma economia de energia limpa que gere empregos e indústrias do futuro dentro das nossas fronteiras. E vamos dar às nossas crianças e nossos trabalhadores as qualificações e o treinamento de que necessitam para competir por esses empregos no século 21."
Congresso
O mandato atual de Bernanke só termina em janeiro. Antes de iniciar seu novo mandato, ele precisa ser sabatinado pelo Congresso. O chefe do Fed desagrada a muitos representantes da Câmara dos Representantes.

Os congressistas da ala democrata mais à esquerda julgam que ou ele não fez o suficiente para conter a crise econômica. Já os republicanos mais à direita creem que ele tem contribuído para uma intervenção indevida do governo em bancos privados e para um aumento gigantesco do déficit do país.

Apesar de não ter sido apontado para o cargo pela atual administração - ele integrou a equipe do ex-presidente George W. Bush -, Bernanke possui grande prestígio dentro do governo Obama e também no mercado financeiro.

O líder americano acrescentou que nenhuma das decisões tomadas por Bernanke foi fácil, mas que, a despeito das críticas, as ações do presidente do Fed "estão funcionando".

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