Obama ganha apoio de Paquistão e Afeganistão contra Al Qaeda

Por Arshad Mohammed e David Alexander WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou na quarta-feira que pode haver mais violência no Paquistão e Afeganistão, e disse que seu governo continua comprometido com a luta contra a Al Qaeda, mas tentando evitar mortes de civis nesses dois países.

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Obama recebeu os presidentes afegão, Hamid Karzai, e paquistanês, Asif Ali Zardari, na Casa Branca e disse que ambos - depois de serem muito criticados no passado - reafirmaram seu compromisso de combater o grupo de Osama bin Laden.

Mas a morte de dezenas de civis afegãos nesta semana, aparentemente em bombardeios promovidos pelos EUA, ofuscou a reunião.

"O caminho adiante será difícil. Haverá mais violência e haverá reveses", disse Obama. "Mas deixem-me ser claro - os Estados Unidos fizeram um compromisso duradouro de derrotar a Al Qaeda, mas também de apoiar os governos soberanos democraticamente eleitos tanto no Paquistão quanto no Afeganistão. Esse compromisso não cederá, e esse apoio será sustentado."

Autoridades locais disseram que mais de cem civis morreram nos bombardeios desta semana na província de Farah. Se a cifra for confirmada, terá sido um dos incidentes mais sangrentos envolvendo civis no país desde o fim do regime do Taliban, em 2001.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, lamentou profundamente o incidente, mas sem admitir responsabilidade dos EUA. Um funcionário norte-americano afirmou, pedindo anonimato, que aparentemente o bombardeio norte-americano de fato provocou mortes.

No passado, o governo de Obama criticou duramente Karzai e Zardari, questionando o compromisso e a capacidade deles no combate à Al Qaeda e o Taliban. Por outro lado, as vítimas civis das ações militares dos EUA são muito impopulares no Afeganistão e no Paquistão, dificultando a cooperação de seus líderes com Washington.

No final de março, Obama anunciou uma nova estratégia para a região, oferecendo mais ajuda financeira e também o envio de 20 mil soldados adicionais para o Afeganistão neste ano.

Hillary disse que o encontro de terça-feira representou "de certa forma um marco", e Richard Holbrooke, enviado especial de Obama para a região, disse que o evento "deu realidade física ao plano estratégico".

Depois de a presidência afegã qualificar as mortes de civis como "injustificáveis e inaceitáveis", Karzai agradeceu Hillary pela manifestação de pesar, e disse esperar que outras mortes civis sejam evitadas.

Zardari, pressionado devido aos avanços dos militantes islâmicos neste ano nos vales do Swat e Buner, prometeu respaldo à democracia do seu país. "Minha democracia precisa de atenção e de alimento", afirmou.

"A democracia paquistanesa irá cumprir sua missão, os terroristas serão derrotados por nossa luta conjunta. Eu, meu amigo o presidente Karzai e os Estados Unidos (...) estaremos ombro a ombro com o mundo para lugar contra este câncer e esta ameaça."

Muitos paquistaneses acusam os EUA de abalar a democracia no país, por terem apoiado e financiado os militares durante décadas. Hillary disse que o apoio de Washington ao governo democrático de Islamabad é "muito, muito firme".

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