Obama foca saúde e criação de empregos em discurso ao Congresso

Por Caren Bohan e Ross Colvin WASHINGTON (Reuters) - O presidente Barack Obama definiu como sua prioridade a criação de empregos e prometeu não abandonar a luta pela reforma do sistema de saúde, depois de um revés político que gerou dúvidas quanto à sua liderança.

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"Empregos devem ser nossa prioridade em 2010", ele disse ao Congresso em seu discurso anual do Estado da União, no momento em que o índice de desemprego de 10 por cento e a frágil economia dominam o debate político.

Aplaudido várias vezes, Obama admitiu ter cometido erros e que seu primeiro ano de mandato foi muito difícil, mas disse que não irá desistir dos esforços de mudar o modo como Washington trabalha e de suas ambições legislativas.

"Eu não desisto", ele disse ao Congresso, lotado. "Vamos aproveitar este momento --a começar de novo, para levar o sonho adiante e fortalecer a nossa união, mais uma vez".

Obama se comprometeu a forçar novas regulações a Wall Street. Ele disse que iria trabalhar para tirar o país de um "buraco fiscal" e estava disposto a usar seu poder de veto presidencial para impor a disciplina orçamentária.

Ainda sofrendo com a derrota do seu Partido Democrata em uma importante eleição suplementar para o Senado em Massachusetts, Obama disse que não vai recuar dos esforços para reformular o sistema de saúde e buscará um consenso bipartidário sobre as mudanças climáticas.

Mas ele enfatizou a necessidade de recuperar a ainda abalada economia e reduzir a taxa de desemprego.

"As pessoas estão fora do mercado de trabalho. Elas estão sofrendo. Elas precisam da nossa ajuda. E eu quero um projeto de (criação de) postos de trabalho na minha mesa, sem atraso", disse ele.

O presidente propôs usar os 30 bilhões de dólares do programa de recuperação dos bancos para aumentar a concessão de empréstimos pelos bancos comunitários às pequenas empresas a fim de estimular a criação de empregos.

DESAFIOS NO ORÇAMENTO

O presidente norte-americano propôs um congelamento de três anos em alguns programas nacionais para conter o déficit crescente no orçamento.

Ele pediu a criação de uma comissão bipartidária para enfrentar os desafios orçamentários de longo prazo, como os programa previdenciário e de saúde Medicare para os norte-americanos mais idosos.

O discurso reflete uma realidade política profundamente diferente da época da posse de Obama, há um ano, quando ele acabava de ser eleito com promessas de grandes mudanças, incluindo o impulso para a reforma da saúde e uma definição dos cortes nas emissões de carbono para combater a mudança climática.

Agora, ele luta para salvar uma pauta parlamentar que ficou ameaçada pela vitória dos republicanos na eleição para uma vaga do Senado em Massachusetts. Ele insistiu que não estava desistindo do projeto de reforma da saúde.

"Até o fim do meu discurso desta noite, mais norte-americanos terão perdido seus seguros de saúde. Milhões perderam neste ano", disse.

"Eu não vou abandonar esses norte-americanos. E as pessoas deste Congresso também não devem abandoná-los", afirmou.

Mantendo o tom populista que tem marcado muitos de seus recentes discursos, Obama criticou o "mau comportamento" e a imprudência de Wall Street e exigiu que o Congresso aprovasse uma legislação consistente sobre a regulação financeira.

Ele prometeu lutar contra os lobistas da indústria financeira que buscam diluir a legislação proposta. Obama afirmou que não está interessado em punir os bancos norte-americanos, mas rejeitará qualquer projeto de lei de reforma do sistema financeiro que seja muito fraco.

"Não podemos deixá-los vencer esta luta. E se o projeto de lei que chegar à minha mesa não incluir uma verdadeira reforma, eu vou devolvê-lo", disse Obama.

Muitos de seus aliados democratas temem perder seus assentos na eleição de novembro, mas Obama destacou melhorias econômicas e tentou desviar as críticas de que a reforma da saúde teria mudado o foco do governo.

Obama disse que democratas e republicanos devem pôr de lado seus rancores partidários, acrescentando que os Estados Unidos não podem permitir isso. Ele afirmou que nenhum partido deve obstruir qualquer legislação.

AFEGANISTÃO E IRAQUE

Obama previu dias difíceis no Afeganistão, mas disse continuar otimista com o sucesso da missão naquele país, e reafirmou sua determinação de retirar do Iraque as tropas de combate norte-americanas até o fim de agosto.

O presidente também disse que os líderes do Irã poderiam enfrentar "consequências crescentes" se não cumprissem as obrigações internacionais.

O presidente defendeu ainda a revogação da política do "Não pergunte, não conte", que impede que homossexuais declarados atuem no serviço militar, disse uma autoridade norte-americana.

Tal política permite que gays sejam militares se não revelarem sua orientação sexual.

(Reportagem adicional de Matt Spetalnick, Alister Bull e Jeff Mason)

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