Obama fica sob fogo cruzado após revelações sobre CIA

Depois da publicação, quinta-feira, de documentos internos revelando os métodos de interrogatório usados na era Bush, a administração Obama ficou sob um fogo cruzado de críticas, proferidas tanto por associações de direitos humanos como por conservadores descontentes.

AFP |

"Não vamos mais utilizar essas técnicas no futuro, mas vamos defender todos os que se conformaram a estas diretrizes", explicou em comunicado Dennis Blair, diretor dos serviços de inteligência americanos (DNI) de Barack Obama.

O próprio presidente afirmou que os agentes da CIA encarregados dos interrogatórios "fizeram seu trabalho".

A frase irritou as associações de defesa dos direitos humanos. "O departamento de Justiça parece estar oferecendo um salvo-conduto de saída de prisão a indivíduos que, segundo o próprio ministro da Justiça, Eric Holder, estiveram envolvidos em atos de tortura", insurgiu-se o diretor executivo da Anistia Internacional, Larry Cox. "As leis foram feitas para ser aplicadas. Os Estados Unidos têm leis que proíbem a tortura", lembrou.

"Trata-se de uma das maiores decepções desta administração, que parece relutante em fazer respeitar a lei e punir os crimes cometidos por antigos dirigentes", denunciou, por sua vez, o Center for Constitutionnal Rights (CCR).

Para o CCR "os funcionários de alto escalão que planejaram, justificaram e ordenaram o programa de tortura têm de prestar contas à justiça".

A Associação de Defesa das Liberdades Públicas (ACLU) qualificou de "insustentável" a posição do presidente Obama sobre a ausência de processos. "Aplicar as leis do país não deveria ser uma decisão política", disse a ACLU em comunicado.

Obama também foi muito criticado pelos ex-dirigentes da era Bush.

"A publicação desses documentos não era necessário em termos de direito", afirmaram o ex-diretor da CIA, o general Michael Hayden, e o ex-ministro da Justiça Michael Musakey em um longo editorial publicado pelo Wall Street Journal.

"Agora, graças à revelação dessas técnicas, os terroristas conhecem os limites dentro dos quais atuam os Estados Unidos para obter informações. Eles podem, portanto, adaptar seu treinamento e enfraquecer a eficiência destas técnicas", alertaram.

"Não precisa ser um eminente analista da inteligência para perceber que entregar de bandeja à Al-Qaeda as técnicas detalhadas de interrogatórios é uma péssima ideia", considerou, por sua vez, o senador republicano Christopher Bond, da comissão de Inteligência.

Quatro notas internas secretas redigidas para a CIA por advogados do departamento de Justiça em 2002 e 2005 e detalhando as técnicas de interrogatórios utilizadas durante a era Bush foram publicadas na quinta-feira, conforme uma promessa feita pela nova administração americana, que proibiu estas práticas.

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