Obama faz visita surpresa ao Afeganistão

Viagem de presidente americano aconteceu em meio as vazamento de telegramas diplomáticos críticos dos EUA sobre o governo Karzai

iG São Paulo |

O presidente americano, Barack Obama, fez uma visita não anunciada ao Afeganistão nesta sexta-feira enquanto tenta melhorar uma problemática relação com o líder afegão, Hamid Karzai, e avalia uma guerra de nove anos que ele espera começar a diminuir a partir de julho de 2011.

Obama chegou a Cabul depois de um voo secreto durante a madrugada. Obama ficou durante quatro horas na base militar de Bagram, a 50 km de Cabul, onde falou com os militares americanos, visitou soldados feridos e conversou por telefone com o presidente afegão, Hamid Karzai, que reclamou sobre as táticas militares dos EUA em semanas recentes

AP
Presidente Barack Obama desembarca do Air Force One durante uma visita surpresa ao Afeganistão
A conversa com Karzai ocorreu após a suspensão de um encontro pessoal por causa do mau tempo e do cancelamento de uma videoconferência por problemas técnicos.

Obama afirmou aos soldados americanos que eles "sairão vitoriosos em sua missão", advertindo para dias difíceis que estão por vir no combate à milícia islâmica do Taleban. "Graças a vocês, realizamos progressos importantes. Vocês protegem o seu país", afirmou o presidente aos militares reunidos no hangar da grande base aérea americana.

Sob um forte esquema de segurança, essa é a segunda viagem em nove meses que Obama fez ao país asiático. Mas sua chegada ocorreu no ponto crítico em que os EUA e outros aliados da Organização do Atlântico Norte (Otan) planejam começar a transferir o controle do campo de batalha às forças afegãs no próximo ano, com a esperança de formalmente pôr fim às operações de combate estrangeiras até o fim de 2014.

O governo Obama também está no meio de sua própria revisão da estratégia de contrainsurgência aprovada há um ano, quando ele ordenou o último reforço militar, elevando o número de soldados americanos para cerca de 100 mil - ou quase o triplo de quando assumiu o poder, em 20 de janeiro de 2009. O general David H. Petraeus, o comandante das forças dos EUA e da Otan, destacou sinais de progresso, mas outros expressaram ceticismo.

A visita do presidente ocorreu em um momento de renovada tensão entre os aliados americanos e afegãos. O avião de Obama aterrissou enquanto os telegramas diplomáticos americanos revelados pelo site WikiLeaks expuseram um retrato devastador de uma sociedade mergulhada na corrupção impulsionada pelo próprio governo Karzai. As correspondências questionaram se Karzai alguma vez será um "parceiro responsável" e o descreveram como "errático" e “indeciso e despreparado”.

Mas diferentemente de sua viagem de março, quando Obama pressionou Karzai em realção à corrupção e as discordâncias estavam claras, o presidente americano chegou em Cabul dessa vez com a intenção de diminuir as diferenças. A Casa Branca modificou sua abordagem em relação a Karzai depois a viagem de março, concluindo que as divisões públicas estavam fazendo mais mal do que bem.

*New York Times e AFP

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