Obama faz trabalho voluntário em Washington, um dia antes de sua posse

César Muñoz Acebes. Washington, 19 jan (EFE).- Barack Obama se tornará amanhã o 44º presidente dos Estados Unidos, mas hoje ele foi o pintor-chefe em um abrigo para adolescentes carentes, como parte de um dia dedicado ao serviço aos demais em honra a Martin Luther King.

EFE |

Neste dia, outros políticos talvez estariam preparando um discurso que entrará na história, mas Obama se tirou o jaqueta, arregaçou uma camisa impecavelmente branca e colocou a "mão na massa".

Acompanhado por Martin Luther King III, o filho do assassinado defensor dos direitos dos negros, Obama ajudou a pintar um quarto na Sasha Bruce House, que fica perto do Congresso.

Este lar temporário para adolescentes é testemunho do lado escuro de Washington, uma cidade dividida entre a fartura e riqueza do poder e a miséria e marginalização de muitos de seus bairros negros.

Obama escolheu este projeto para dar ênfase na mensagem de unidade com o qual envolveu sua posse como presidente, em um dia no que os Estados Unidos lembra o aniversário de King, que hoje faria 80 anos.

"Não se deve subestimar o poder do povo que se une para conseguir coisas importantes", disse o presidente eleito à imprensa que entrou com ele na Sasha Bruce House, mas com um olhar também nos adolescentes negros da casa que o observavam.

Ontem Obama se dirigiu a uma multidão de cerca de 400.000 pessoas nos mesmos degraus de mármore do Monumento a Abraham Lincoln nos quais em 1963 King declarou ter um sonho de igualdade.

Dois terços dos afro-americanos acreditam que essa aspiração está cumprida com a eleição de Obama como primeiro presidente negro dos Estados Unidos, segundo uma pesquisa da rede de televisão "CNN" divulgada hoje.

Obama não trilhou o mesmo caminho de sofrimento de outros negros para chegar a este momento de glória, mas tenta escrever uma página nova na história de seu país.

"Amanhã nos reuniremos como um só povo no mesmo lugar onde ainda ressoam os sonhos do doutor King. Ao fazê-lo, reconhecemos que nos Estados Unidos, nossos destinos estão ligados de forma inextrincável", disse hoje o presidente eleito em uma declaração.

"Lembremos a lição de King: que nossos sonhos separados são na realidade um só", afirmou Obama.

Sua mensagem de unidade também tem uma faceta política. O presidente eleito participará esta noite em três jantares em homenagem a pessoas que em sua carreira estenderam a mão aos membros do outro partido.

Os homenageados serão Colin Powell, ex-secretário de Estado do ainda presidente George W. Bush; o senador John McCain, rival de Obama nas eleições presidenciais; e o vice-presidente eleito, Joe Biden.

Apesar dos democratas contarem com uma grande maioria no Congresso, Obama enviou um aceno aos republicanos e acolheu dois deles em seu gabinete, incluindo Robert Gates, a cargo da crucial pasta de Defesa.

Do mesmo modo, o presidente eleito foi jantar recentemente na casa do comentarista conservador George Will, onde também estavam William Kristol e David Brooks, que fizeram críticas a sua plataforma durante a campanha eleitoral.

Obama, que foi acusado de falta de patriotismo quando era candidato presidencial, também não descuidou das forças armadas.

Hoje começou o dia com uma visita a militares internados no hospital militar Walter Reed e ontem colocou uma coroa no túmulo do soldado desconhecido no cemitério de Arlington, onde descansam os restos dos heróis de guerra americanos. EFE cma/ma

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