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Obama faz discurso no Cairo e oferece novo começo a muçulmanos

Macarena Vidal. Cairo, 4 jun (EFE).- O presidente americano, Barack Obama, ofereceu hoje um novo começo nas relações entre os Estados Unidos e o mundo muçulmano, baseado nos interesses e no respeito mútuos, em seu esperado discurso no Cairo aos fiéis islâmicos.

EFE |

O discurso no auditório da Universidade do Cairo, de quase uma hora de duração e um dos mais longos pronunciados pelo presidente em seu mandato, foi carregado de conteúdo, no qual Obama repassou as diversas áreas de tensão entre seu país e os muçulmanos, mas com fio principal na necessidade de "acabar com este ciclo de suspeita e discórdia".

Mais que expor novas propostas, o presidente americano se concentrou em explicar sua política para o mundo muçulmano a um público que lotou o recinto, que interrompeu o presidente várias vezes e se despediu com gritos de "Obama, Obama".

Nem sempre foi uma mensagem fácil. A chamada em defesa dos judeus ou do direito de Israel de existir foi recebida com silêncio na sala, que, no entanto, aplaudiu com entusiasmo a mensagem contra os assentamentos israelenses ou a favor dos direitos humanos.

"Enquanto nossa relação for definida por nossas diferenças, estamos potencializando os que cultivam o ódio em lugar da paz, e os que promovem o conflito em vez da cooperação", disse Obama, diante de um público que representava um panorama da sociedade política, cultural e econômica do Cairo.

Os EUA e o Islã "não precisam competir", mas compartilham princípios como a justiça e a tolerância, afirmou o presidente, que se referiu a suas próprias experiências do Islã como uma criança criada na Indonésia e à contribuição da cultura muçulmana nos Estados Unidos.

O líder americano pediu que os muçulmanos superem seus preconceitos contra os EUA e enumerou uma série de áreas onde houve desencontros, do Iraque e Afeganistão ao conflito israelense-palestino ou aos direitos humanos.

O presidente dos EUA destinou uma grande parte de seu discurso ao conflito no Oriente Médio, que, segundo ele, só tem como solução possível a coexistência de um Estado israelense e outro palestino.

Obama se mostrou muito contundente neste sentido e lembrou que os palestinos têm a obrigação de colocar fim à violência e os israelenses, de melhorar as condições de vida de seus vizinhos e acabar com os assentamentos.

O presidente americano também lembrou seu compromisso de retirar as tropas americanas do Iraque até 2011 e sua nova estratégia para o Afeganistão, onde disse que sua intenção não é manter tropas eternamente.

Mas, enquanto expunha sua visão sobre estas áreas, o presidente americano pediu que os muçulmanos rejeitem a violência extremista e disse que os EUA farão o que for necessário para enfrentar "sem descanso os extremistas violentos que representarem uma ameaça grave" à segurança de seu país.

Obama afirmou que fará frente ao extremismo de modo "respeitoso à soberania das nações e ao estado de direito", e em colaboração com as comunidades muçulmanas que também forem ameaçadas.

"O quanto antes os extremistas ficarem isolados e sem amparada nas comunidades muçulmanas, antes todos nós estaremos seguros", disse o presidente americano.

Obama também lançou uma chamada ao Irã para aceitar sua oferta de um novo começo sem condições prévias, no qual Teerã deve cumprir seus compromissos internacionais sobre seu programa nuclear para evitar uma escalada armamentista na região.

O presidente dos EUA fez também uma chamada aos países muçulmanos para um maior respeito aos direitos humanos e, precisamente, aos direitos da mulher.

O líder americano concluiu seu discurso com citações da Bíblia, do Corão e da Torá judaica, para lançar uma chamada à harmonia entre religiões.

Este discurso de Obama foi dirigido à comunidade muçulmana mundial, de mais de 1,5 bilhão de pessoas.

Para alcançar o maior público possível, a Casa Branca divulgou o discurso pela internet e através de redes sociais cibernéticas, enquanto o Departamento de Estado traduziu a mensagem para 13 idiomas diferentes e criou um site especial para receber alertas de texto em tempo real em quatro idiomas: inglês, árabe, urdu e farsi.

EFE mv/an

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