Obama faz apelo religioso e encontra jovens na Turquia

Por Matt Spetalnick e Ayla Jean Yackley ISTAMBUL (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, encontrou-se na terça-feira com líderes religiosos em Istambul, como parte de um esforço para unir moderados das grandes religiões contra o extremismo.

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Um dia depois de declarar em discurso que os Estados Unidos não estão em guerra contra o Islã, Obama conversou com o principal dirigente islâmico de Istambul, com o rabino-chefe da cidade e com representantes de igrejas cristãs ortodoxas. Acompanhado pelo primeiro- ministro Tayyip Erdogan e pelo mufti Mustafa Cagrici, ele também visitou a Mesquita Azul, considerada a mais importante da Turquia.

A Turquia é a última etapa da primeira viagem transcontinental do presidente norte-americano, que tenta melhorar a imagem externa do seu país e reconstruir os laços com os muçulmanos, depois do abalo provocado pelas guerras no Iraque e Afeganistão.

"Deixem-me dizer isso o mais claramente possível: os Estados Unidos não estão e nunca estarão em guerra contra o Islã", afirmou ele em discurso no Parlamento turco, mas dirigindo-se ao mundo islâmico como um todo.

A Turquia é um país majoritariamente islâmico, mas com governo secular e ligado à Otan (aliança militar ocidental), além de ser candidata a uma vaga na União Europeia.

Como parte da sua nova estratégia de se envolver com jovens do mundo todo, Obama fez uma reunião com eles num centro cultural de Istambul, a exemplo do que já fizera na semana passada em Estrasburgo, na França.

"Encontrar os jovens simboliza a expectativa de esperança e mudança (os dois motes eleitorais de Obama), porque o governo anterior (de George W. Bush) tinha um problema com a sua imagem no mundo islâmico", disse o estudante de relações internacionais Salih Altundere, 23 anos.

"A Turquia tem uma posição especial no mundo islâmico. Este governo é religioso, mas ainda democrático", disse ele, enquanto Obama entrava no auditório.

A visita de dois dias ao país é um aceno ao poderio econômico e diplomático da Turquia, que poderia ajudar os EUA em temas como Irã e Afeganistão.

A Turquia é uma importante aliada de Washington, e também tem relações estreitas com Israel, Irã, Iraque e Síria, além de servir como rota de trânsito para tropas e equipamentos militares dos EUA no seu caminho para Iraque e Afeganistão.

Ao contrário de Bush, Obama vem buscando uma reaproximação com inimigos como Irã e Síria. Durante a campanha eleitoral, ele prometeu manter contatos diretos com governos adversários de Washington, e já houve contatos de médio escalão do seu governo com representantes do Irã numa recente conferência sobre o Afeganistão.

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