Obama faz apelo por união e inovação em discurso ao Congresso

Presidente pede união de democratas e republicanos para que país consiga gerar empregos e enfrentar desafios econômicos

BBC Brasil |

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AFP
Presidente americano durante o discurso
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez nesta terça-feira, em seu discurso do Estado da União, um apelo por inovação e união para que o país consiga gerar empregos e enfrentar os desafios futuros de uma economia global em tranformação.

Diante da nova divisão de poder no Congresso, com os republicanos agora no comando da Câmara dos Representates (deputados federais) depois da vitória nas eleições legislativas de novembro, Obama pediu que os dois partidos trabalhem juntos.

"O que está em jogo não é quem vence as próximas eleições", disse. "Está em jogo se novos empregos e indústrias irão se estabelecer neste país ou em outro lugar."

O presidente disse que a competição gerada pela ascensão de países como a China e a Índia e a exportação de empregos para outros países "mudaram as regras", sendo necessário investir em inovação, infraestrutura, educação, pesquisa biomédica, tecnologia da informação e energias limpas.

"Este é o momento Sputnik da nossa geração", disse o presidente, ao referir-se ao satélite que os russos colocaram em órbita em 1957, antes dos Estados Unidos. "Dois anos atrás, eu disse que nós precisavamos atingir um nível de pesquisa e desenvolvimento não visto desde o auge da Corrida Espacial", afirmou.

Déficit

O presidente disse que houve avanços após a recessão, e a economia voltou a crescer, mas ainda há muito a fazer. Obama disse também que, para sustentar o "sonho americano", cada geração teve de se sacrificar, lutar e atender às demandas de uma nova era. "Agora é a nossa vez", afirmou.

"Nós temos de fazer da América o melhor lugar do mundo para se fazer negócios." "Nós temos de assumir a responsabilidade pelo nosso déficit e reformar o nosso governo", disse Obama.

O presidente afirmou que o país convive com o legado de um déficit que começou há quase uma década e que, durante a recessão, foi necessário adotar medidas para sustentar o crédito e salvar empregos. "Mas agora que o pior da recessão já passou, temos de confrontar o fato de que nosso governo gasta mais do que arrecada. Isso não é sustentável", disse.

Segundo projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional) o déficit fiscal americano deverá ultrapassar 10% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano. Obama propôs congelar os gastos domésticos pelos próximos cinco anos, o que reduziria o déficit em mais de US$ 400 bilhões na próxima década.

No entanto, afirmou que investimentos em inovação e educação devem ser preservados. Segundo Obama, manter a liderança em pesquisa e tecnologia é crucial para o sucesso dos Estados Unidos e, para isso, é necessário investir em educação e em infraestrutura.

Em sua resposta ao discurso de Obama, os republicanos criticaram os planos do presidente. "Alguns anos atrás, reduzir gastos era importante", disse o republicano Paul Ryan, que proferiu a resposta de seu partido, logo após o discurso. "Agora, é imperativo."

Arizona

O discurso desta terça-feira ocorre em um momento em que o país discute o papel da retórica cada vez mais violenta que opõe conservadores e liberais. Esse debate foi intensificado após um atentado contra a deputada democrata Gabrielle Giffords, no início do mês, em Tucson, no Arizona, no qual seis pessoas morreram e 13 ficaram feridas.

"Ao marcar essa ocasião, nós também não esquecemos da cadeira vazia neste recinto, e rezamos pela saúde de nossa colega - e nossa amiga - Gabby Giffords", disse Obama, ao referir-se à deputada, que continua internada após ter sido atingida por um tiro na cabeça.

Pela primeira vez, muitos democratas e republicanos acompanharam o discurso sentados lado a lado, deixando para trás a tradicional separação entre os dois partidos. "Em meio a todo o barulho, paixão e rancor do nosso debate público, Tucson nos fez lembrar que não importa quem sejamos ou de onde venhamos, cada um de nós é parte de algo maior", afirmou.

"O que virá deste momento depende de nós. O que virá deste momento será determinado não por se podemos sentar juntos hoje à noite, mas se podemos trabalhar juntos amanhã."

Imigração

O presidente também pediu um esforço para resolver o problema da imigração ilegal nos Estados Unidos, uma de suas promessas de campanha.

O país tem hoje cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais. "Eu estou preparado para trabalhar com republicanos e democratas para proteger nossas fronteira, garantir o cumprimento de nossas leis e abordar o problema dos milhões de trabalhadores sem documentos que neste momento vivem nas sombras."

Ele citou o caso dos filhos de imigrantes ilegais que "não tiveram nada a ver com as ações de seus pais". "Eles cresceram como americanos e juraram fidelidade à nossa bandeira e no entanto vivem diariamente sob a ameaça de deportação."

Reforma da saúde

Obama abordou a questão da reforma da saúde aprovada em março do ano passado e considerada um dos principais projetos de seu governo, mas que enfrenta forte oposição republicana. O presidente defendeu os benefícios da nova lei, mas disse estar disposto a trabalhar com a oposição para melhorar alguns pontos.

"Eu ouvi boatos de que alguns de vocês têm certas preocupações sobre a nova lei da saúde. Então, deixem-me ser o primeiro a dizer que tudo pode ser melhorado", disse Obama. "Se vocês têm ideias sobre como melhorar essa lei, tornando o sistema melhor e mais acessível, estou ansioso para trabalhar com vocês."

Neste mês, a Câmara dos Representantes, agora sob controle republicano, aprovou uma proposta para derrubar a reforma da saúde, uma das promessas de capanha nas eleições legislativas de novembro.

A votação, no entanto, teve caráter mais simbólico, já que, segundo analistas, o projeto não deve passar no Senado, mas foi encarada como uma sinalização da disposição dos republicanos de alterar vários pontos da lei, que consideram cara demais.

Política externa

Durante o discurso, Obama anunciou que irá visitar o Brasil em março, em uma viagem que inclui Chile e El Salvador e será a primeira de seu governo à América do Sul. O presidente também falou do fim da retirada das tropas do Iraque neste ano e do início da retirada do Afeganistão.

Citou ainda a luta contra a rede extremista Al-Qaeda e o Taleban e o acordo para redução de arsenais nucleares firmado com a Rússia.

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