Obama fará sua 1ª escolha para o Supremo dos EUA

WASHINGTON - O presidente americano, Barack Obama, confirmou nesta sexta-feira que o juiz da Corte Suprema David Souter lhe comunicou sua intenção de se aposentar. Assim, Obama terá de fazer sua primeira escolha para o Supremo, órgão que tem a última palavra em temas polêmicos como o aborto e pena de morte.

Redação com EFE |

Em entrevista coletiva, Obama disse que escolherá alguém com "mente independente e uma trajetória de excelência e integridade" para substituí-lo.

Obama ressaltou que a seleção de um juiz para o Supremo é uma de suas responsabilidades "mais sérias" como presidente.

O presidente agradeceu pelos 19 anos que David Souter, de 69 anos, dedicou ao Supremo, e afirmou que escolherá "alguém que entenda que a Justiça não é só um conceito abstrato nos livros jurídicos, mas algo que tem um impacto na vida diária das pessoas".

Segundo ele, seu candidato será alguém "capaz de se identificar com a vida e desafios das pessoas comuns, que honre as tradições constitucionais americanas, respeite a integridade do processo judicial os valores constitucionais nos quais se fundou nosso país".

O presidente americano acrescentou que, antes de anunciar o novo integrante da Corte Suprema, consultará tanto seu partido, Democrata, quanto o Republicano.

Existe grande expectativa de que uma mulher substitua Souter, que deve se aposentar no fim de junho, quando termina o período de sessões do Supremo, iniciado em outubro.

A aposentadoria de Souter não deve alterar a divisão de forças no Supremo, atualmente integrado por quatro juízes de tendências mais liberais, quatro conservadores e um considerado "republicano moderado", Anthony Kennedy, que costuma desempatar as votações polêmicas.

Obama pode nomear um juiz - ou juíza - mais jovem, com a possibilidade de ocupar o posto vitalício por décadas, muito além do fim de seu mandato presidencial.

O presidente também pode escolher alguém à esquerda de Souter, que apoiou causas desta tendência em quase toda a sua carreira de 19 anos no Supremo, embora também tenha apoiado algumas batalhas dos conservadores.

Em junho do ano passado, por exemplo, se desgarrou do "lado esquerdo", ao respaldar um corte das compensações que a Exxon Mobil teve que pagar às vítimas de um vazamento do petroleiro Valdez no Alasca em 1989.

O 105º juiz do Supremo - e sexto solteiro de sua história -, foi escolhido para o cargo em 1990 por George Bush pai, em substituição ao liberal William Brennan, que se aposentou após sofrer um derrame cerebral.

Sua tendência liberal foi uma desagradável surpresa para a direita, ao ponto de os comentaristas conservadores utilizarem agora o termo "Souter" como sinônimo de "traidor".

Entre os destaques de sua trajetória legal está seu respaldo, em 1992, à manutenção da sentença "Roe vs. Wade", que legalizou o aborto nos Estados Unidos, em 1973.

Ele foi ainda um dos quatro juízes do Supremo que, em 2000, votou contra o respaldo à eleição de George W. Bush, após a longa apuração de votos no estado da Flórida.

Durante sua carreira também apoiou os programas de "ações afirmativas" para as chamadas minorias, assim como a implementação de regras mais estritas no financiamento das campanhas eleitorais para lutar contra a corrupção política.

Também se mostrou a favor de limitar o uso da pena de morte e a favor dos direitos dos presos na prisão militar de Guantánamo, em Cuba.

A notícia de sua aposentadoria despertou uma febre de especulações sobre seu possível sucessor, que, segundo a maioria das apostas, seria uma mulher.

A única magistrada no Supremo é Ruth Bader Ginsburg, de 76 anos, que, em fevereiro, foi diagnosticada com câncer no pâncreas, embora tenha voltado ao trabalho após ser operada e diga que não pretende se aposentar.

Entre os nomes cotados para substituir Souter estão o da procuradora-geral Elena Kagan, das juízas federais de apelação Kim McLane Wardlaw, Sandra Lea Lynch e Diane Pamela Wood e Sonia Sotomayor, que ainda tem a seu favor a ascendência latina, podendo ser a primeira dessa origem no Supremo.

Na lista de apostas, também estão a presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Geórgia, Leah Ward Sears, e a governadora do Michigan, Jennifer Granholm.

Alguns homens, como o juiz Rubén Castillo e o decano da Faculdade de Direito da Universidade de Yale, Harold Hongju Koh, também foram cogitados.

Seja quem for o escolhido de Obama, ele não deve ter dificuldade para aprová-lo no Senado, dada a significativa maioria dos democratas na câmara alta. Mas é provável que, como de costume, o processo gere um acalorado debate.

Leia mais sobre: Barack Obama

    Leia tudo sobre: barack obama

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG