Obama fará retroceder choque de civilizações

A eleição do candidato democrata Barack Obama à presidência dos Estados Unidos fará retroceder o choque de civilizações, opina Pascal Boniface, diretor do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS, com sede em Paris), em entrevista à AFP.

AFP |

P: Dado o envolvimento de forças multinacionais em inúmeros conflitos existem riscos de uma Terceira Guerra Mundial?

R: Ainda não chegamos a isso. Mas não devemos nos mostrar excessivamente pessimistas e nem otimistas e dizer que isso acontecerá ou não. Tudo dependerá do que fizerem os governos e os povos.

A eleição de Obama poderá ser um elemento importante, pois dará alguns passos para atrás em relação ao choque de civilizações.

Às vezes ele é visto como alguém que tem uma varinha mágica. Não, ele não poderá resolver todos os problemas nem vai transformar o mundo num mundo mais pacífico e harmonioso, mas pode levar os Estados Unidos numa boa direção e evitar acrescentar desordens às injustiças já existentes. Em compensação, podemos temer que John MacCain seja apenas um prolongamento, mais digno, de George W. Bush, que agrave então o uso da força militar para resolver os problemas políticos.

P: Como se apresenta o dossiê nuclear iraniano?

R: Dependerá amplamente de quem for eleito. Há muitas preocupações relacionadas com o programa nuclear iraniano, que pode acarretar, se chegar à fase nuclear, uma desestabilização muito grande da região e uma modificação total da relação de forças, não apenas entre Israel e Irã, como também entre o Irã e seus vizinhos.

As operações militares para impedir isso seriam um remédio pior que a doença, pois já vimos os efeitos negativos de uma guerra para impedir a proliferação nuclear no Iraque e não resta dúvida de que no Ira esses efeitos se multiplicariam.

Não podemos aceitar a proliferação nuclear no Irã nem uma guerra para impedi-la. É certo que, numa configuração desse tipo, Obama parece mais capacitado para estabelecer um diálogo com o Irã.

Se McCain, que parece mais atraído por soluções de força, for eleito, podemos temer uma repetição, mais grave do que vimos no Iraque.

A eleição de Obama pode levar a negociações que resultem numa flexibilização do regime iraniano; a eleição de McCain pode criar atritos em Teerã, o que poderá provocar a hostilidade do poder americano frente ao Irã.

P: A vitória de Obama lhe parece certa, como anunciada pelas pesquisas de opinião, ou ainda pode ter uma virada?

R: O jogo ainda não acabou, mas é preciso acontecer algo fora do comum, como um atentado nos Estados Unidos, por exemplo, para que haja uma virada. A vantagem de Obama é suficientemente cômoda para parecer irreversível a tão poucos dias da votação.

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