Washington, 20 jan (EFE).- Barack Hussein Obama se tornou hoje o 44º presidente dos Estados Unidos, após jurar sobre a Bíblia e diante de mais de dois milhões de pessoas reunidas em frente ao Capitólio de Washington desempenhar com fidelidade o cargo e defender a Constituição dos EUA.

No discurso de posse, Obama, pediu aos americanos o início de "uma nova era de responsabilidade" em suas vidas e um novo papel para o país no mundo, baseado na cooperação e no diálogo.

O novo presidente fez um apelo pelos valores fundamentais dos EUA para começar um novo capítulo na história americana.

Obama também anunciou "o fim da era das queixas mesquinhas" e "das falsas promessas" na política americana.

Em seu discurso de posse, afirmou ainda que o povo americano optou "pela esperança em lugar do medo, pela unidade frente ao conflito e a discórdia".

"Neste dia, proclamo o fim das queixas mesquinhas e das falsas promessas, das recriminações e dos dogmas desgastados que durante tanto tempo estrangularam nossa política", disse diante de mais de dois milhões de pessoas que se reuniram para assistir à sua posse e ouvir seu discurso.

Em um emotivo discurso, o novo presidente dos EUA disse ainda que o país continua sendo "a nação mais próspera e poderosa da Terra", embora tenha alertado para os inúmeros desafios que seu Governo tem pela frente.

"A partir de hoje, devemos nos levantar, sacudir a poeira e começar de novo a tarefa de reconstruir os EUA, porque, para onde quer que olhemos, ainda há trabalho a fazer", disse Obama.

O primeiro negro eleito à Casa Branca também reiterou sua promessa de reativar a economia, "não só mediante a criação de novos empregos, mas também estabelecendo bases para o crescimento".

"Nossa economia está muito enfraquecida, como conseqüência da avareza e da irresponsabilidade de alguns, mas também pelo fracasso coletivo em tomar as decisões difíceis e preparar a nação para uma nova era", afirmou Obama.

Diante desses erros, Obama pediu aos americanos para retomar as "verdades" que fizeram os Estados Unidos a nação que é: o trabalho duro, a honestidade, a coragem, a justiça, a tolerância e o patriotismo.

"O que pedem a nós agora é uma nova era de responsabilidade, o reconhecimento, por parte de cada americano, de que temos obrigações para com nós mesmos, com nossa nação e com o mundo", disse Obama.

No terreno internacional, o novo presidente americano quis marcar uma mudança em relação à administração de George W. Bush.

"A todos os povos e Governos que estão nos vendo hoje, desde as maiores capitais ao pequeno povoado onde meu pai nasceu (no Quênia): Saibam que os Estados Unidos são um amigo de cada nação e de cada homem, mulher e criança que busca um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos para ser líderes mais uma vez", afirmou Obama.

Obama lembrou que os Estados Unidos derrotaram o fascismo e o comunismo "com alianças sólidas e convicções duradouras".

"Nosso poder só não pode nos proteger, nem nos dá direito de fazer o que quisermos", afirmou.

O novo presidente destacou que os desafios atuais exigem que os EUA façam um esforço maior para promover a cooperação e o entendimento entre as nações, sobre ameaça nuclear e o aquecimento global.

Ele ofereceu "um novo caminho à frente" ao mundo muçulmano.

"Aos que se apegam ao poder através da corrupção e do engano e silenciando a dissensão, saibam que estão do lado errado da história, mas que estenderemos a mão se estiverem dispostos a abrir o punho", disse Obama, em referência aos regimes autoritários do Oriente Médio.

Além disso, o novo presidente reafirmou a crença no império da lei e dos direitos humanos, e disse rejeitar "como falsa, a escolha entre nossa segurança e nossos ideais".

O Governo Bush aumentou os poderes do Executivo para espionar e deter suspeitos em nome da segurança nacional.

Sobre a economia, sua prioridade no início do mandato, Obama disse que é necessária uma ação "atrevida e rápida".

"Construiremos as estradas e as pontes, as redes elétricas e as linhas digitais que alimentam nosso comércio e nos unem", disse.

Obama reconheceu o momento histórico de sua posse como o primeiro presidente negro dos EUA, "um momento que definirá esta geração", destacou, e lembrou que há 60 anos seu pai não poderia ter comido em restaurantes de Washington devido à sua raça.

"Experimentamos a amargura da guerra civil e a segregação, e emergimos desse capítulo obscuro mais fortes e mais unidos", disse.

Ele reconheceu que os desafios enfrentados pelo país são novos, mas o mesmo não ocorre com os valores para seguir adiante, como o trabalho duro, a coragem e a honestidade.

Obama afirmou que, atualmente, com o país em recessão e uma profunda crise financeira, "os desafios são novos, e os instrumentos para enfrentá-los também".

No entanto, o mesmo não ocorre com "os valores nos quais devemos confiar para encará-los com sucesso, como o trabalho duro e a honestidade, a coragem e o fair play, a tolerância e a curiosidade".

"Todos estes foram a força de nosso progresso através da história", assinalou. EFE cma/db

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