Obama expressa sérias dúvidas sobre presidencial afegã

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, expressou pela primeira vez publicamente neste domingo sérias dúvidas sobre a regularidade da eleição presidencial afegã de 20 de agosto, marcada pela contestada vitória do presidente Hamid Karzai.

AFP |

Obama garantiu, porém, que não deixará considerações de política interna influenciar sua decisão de enviar ou não mais soldados ao Afeganistão.

A eleição "não transcorreu da forma que eu esperava, e a forma como ocorreu a votação em algumas regiões do país levanta graves questões", declarou Obama à rede de televisão NBC, um dos cinco canais aos quais deu entrevistas neste domingo para defender seu projeto de reforma do sistema de saúde.

"Fraudes foram registradas, e isso parece grave", observou o presidente americano na rede CNN.

As suspeitas de fraude envolvendo centenas de milhares de votos, a incerteza sobre a necessidade de um segundo turno e o dano causado à legitimidade de Karzai complicam a situação de Obama, num momento em que a estratégia americana no Afeganistão está sendo reavaliada.

Obama transformou o Afeganistão em sua principal prioridade internacional. Com a intensificação dos combates, ele deverá decidir em breve se envia mais homens ao país, além dos 21.000 reforços anunciados no início deste ano que levarão para 60.000 o número de militares americanos mobilizados no Afeganistão.

A guerra é cada vez mais impopular nos Estados Unidos, inclusive entre os democratas.

Contudo, Obama garantiu à CNN que não tomará sua decisão "com base em decisões de política interna". Ele prometeu avaliar com cuidado as solicitações dos generais antes de anunciar sua decisão, mas ignorou a possibilidade de estabelecer um cronograma de retirada das tropas do Afeganistão, no modelo do que foi instalado para o Iraque.

Nesta série de entrevistas, nas quais falou tanto do racismo quanto dos grandes temas internacionais, Obama também se referiu à saúde do líder norte-coreano Kim Jong-Il, um tema que suscitou muitos rumores e especulações diplomáticas nos últimos meses.

Obama mencionou o encontro recente entre Kim Jong-Il e Bill Clinton em Pyongyang, para onde o ex-presidente americano viajou em agosto para obter a libertação de duas jornalistas.

"Acho que Bill Clinton ficou com a impressão de ele (Kim Jong-Il) está com boa saúde, e controla a situação. É importante saber disso, pois não temos muitos contatos com os norte coreanos", ressaltou Obama à CNN.

O presidente americano ainda negou que a atitude "paranóica" da Rússia com o projeto americano de escudo antimísseis na Europa tenha influenciado sua decisão de abandonar este plano.

No âmbito econômico, ele avisou que o desemprego nos Estados Unidos pode piorar nos dois ou três próximos meses. Ele se recusou a dizer se a recessão estava terminada, mas garantiu estar vendo os sinais de uma recuperação.

Em esforço talvez sem precedentes para um presidente dos Estados Unidos, Obama concedeu neste domingo entrevistas a cinco grandes canais de TV americanos para defender seu controvertido projeto de reforma do sistema de saúde.

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