Obama expressa pessimismo sobre economia dos EUA e pede aprovação de pacote

Macarena Vidal. Washington, 8 jan (EFE).- O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, traçou hoje um panorama sombrio do futuro econômico do país para pedir a aprovação do plano de recuperação que propõe como solução à crise financeira.

EFE |

"Não creio que seja tarde demais para mudar de rumo, mas será se não adotarmos medidas drásticas o mais rápido possível", afirmou Obama em discurso na Universidade George Mason em Fairfax, Virgínia.

"Se não fizermos nada, esta recessão poderá durar anos", disse, ao destacar que, entre outras coisas, o índice de desemprego, que atualmente está em 6,7%, poderia alcançar os dois dígitos, e a economia, com isso, deixaria de receber US$ 1 trilhão.

"Resumindo, uma situação grave poderia piorar drasticamente", acrescentou o futuro presidente dos EUA, que assumirá o cargo no dia 20 de janeiro.

Para fazer frente à dura crise econômica, Obama propõe um plano de recuperação que sua equipe avalia em entre os US$ 675 bilhões e US$ 775 bilhões.

A proposta prevê dobrar a produção de energia alternativa nos próximos três anos e melhorar a eficiência energética, assim como investir em tecnologia, educação e infra-estrutura, ressaltou.

Boa parte dos fundos também será destinada a cortes fiscais direcionados às famílias trabalhadoras ou de classe média, que poderiam receber restituições de impostos no valor de até US$ 1 bilhão.

No Congresso, que deve ratificar o plano, para que esse seja aprovado, a maioria democrata defende a proposta, mas a minoria republicana exige mecanismos de supervisão para liberar esses recursos.

Alguns legisladores também expressaram temor do efeito do plano no déficit fiscal americano, que já alcança os US$ 1,2 trilhão, um montante recorde.

Inicialmente, Obama pretendia que o plano de recuperação fosse aprovado e ficasse pronto para ser assinado no próprio dia 20, mas já adiou estas expectativas e agora espera a ratificação nas primeiras semanas de seu mandato.

O líder eleito afirmou que "não há dúvida de que o custo deste plano será considerável" e, "claro, aumentará o déficit fiscal a curto prazo", mas as conseqüências de não fazer nada seriam ainda piores.

Obama admitiu que existe ceticismo perante o plano em alguns setores, principalmente depois que o atual Governo já gastou altas somas de dinheiro, sem resultados tangíveis, mas insistiu em que o projeto "investirá no que funciona", e prometeu total transparência nas aplicações.

"Devemos manter um debate aberto e honesto sobre este plano nos próximos dias, mas peço ao Congresso para atuar o mais rápido possível em benefício dos americanos" e para trabalhar dia e noite, "nos finais de semana, se for necessário", para obter a aprovação da medida, acrescentou.

O discurso de hoje foi o primeiro que Obama pronunciou desde sua vitória nas eleições presidenciais de 4 de novembro, apesar de o novo líder ter concedido dezenas de entrevistas coletivas.

Até o momento, o futuro governante decidiu não se pronunciar sobre questões de política externa, alegando que George W. Bush ainda é o presidente e que é ele quem deve tomar as decisões correspondentes.

Obama, no entanto, adotou uma posição completamente diferente no que diz respeito à situação econômica, que poderia dominar pelo menos os primeiros meses de seu mandato.

O presidente eleito prometeu que tornará a recuperação econômica sua prioridade desde o primeiro dia de Governo.

Em novembro, o anúncio de sua equipe econômica, liderada pelo futuro secretário do Tesouro e até agora presidente do banco regional em Nova York do Federal Reserve (Fed, autoridade monetária dos EUA), Tim Geithner, foi o primeiro sobre a composição de seu Gabinete.

Esta semana, Obama fez, todos os dias, declarações sobre o andamento da economia, que considera "atroz".

Amanhã, o Departamento de Trabalho publicará os dados mensais de desemprego, que devem indicar uma perda de cerca de 500 mil postos de trabalho e que podem elevar o índice de desemprego a 7%. EFE mv/db

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