Obama exalta Kennedy como a voz dos pobres e desfavorecidos

Por Patricia Zengerle BOSTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos Barack Obama exaltou Edward Kennedy como uma voz para os pobres e desfavorecidos numa homenagem neste sábado, recordando as realizações do senador e evitando fazer um discurso político sobre a morte do parlamentar.

Reuters |

Obama saudou o colega democrata como um campeão do marco do Ato de Direitos Civis, da reforma de imigração e dos cuidados de saúde da criança, mas não discorreu sobre o que o senador chamava "a causa da minha vida", uma revisão do sistema de saúde dos Estados Unidos.

A reforma do sistema de saúde é a prioridade doméstica número 1 de Obama. Mas, em meio a esforços para fazer o projeto de reforma ser aprovado pelo Congresso, a Casa Branca teme ser vista como se estivesse politizando a morte de Kennedy.

A Casa Branca informou que o presidente não usaria o discurso como oportunidade para conseguir suporte ao projeto.

Em discurso no funeral de Kennedy, numa basílica Católica, em Boston, Obama o chamou Kennedy de "alma do Partido Democrático e leão do senado norte-americano", tendo sido autor de mais de 300 leis.

"Ele foi o produto de uma época quando a alegria e a nobreza da política impediam que as diferenças de partido e filosofia se tornassem barreiras para cooperação e respeito mútuo, uma época em que os adversários ainda se viam como patriotas", afirmou Obama, que frequentemente lamenta a profunda divisão partidária entre os democratas, que controlam o Congresso, e os republicanos.

"E foi assim que Ted Kennedy se tornou o maior legislador dos nossos tempos", acrescentou Obama.

Em janeiro de 2008, Kennedy endossou Obama, que realizava seu primeiro mandato como senador, como candidato presidencial dos democratas à presidência dos EUA. Muitos viram o ato como uma passagem da tocha política para uma nova geração.

"Eu, como muitos outros na cidade onde ele trabalhou por quase meio século, o reconhecia como um colega, um mentor e, acima de tudo, um amigo", disse Obama.

A morte de Kennedy deixa uma lacuna, enquanto Obama e seus partidários encaminham um plano avaliado em quase 1 trilhão de dólares para cobrir até 46 milhões de norte-americanos que não têm acesso a serviço de saúde, reduzir os custos do serviço e introduzir um esquema de seguro conduzido pelo governo.

Uma das últimas conversas entre Obama e Kennedy era sobre o assunto. O presidente interrompeu suas férias para participar do funeral do senador democrata.

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