Obama evita pressionar Canadá durante primeira visita internacional

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ter evitado pressionar o Canadá para permanecer no Afeganistão além de 2011, e negou que a cláusula Buy American, para estimular o consumo de produtos americanos em detrimento dos importados, afete o comércio bilateral, ao iniciar nesta quinta-feira a primeira visita ao exterior de seu mandato.

AFP |

"Certamente não pressionei o primeiro-ministro para que assuma compromissos além dos já adotados", afirmou Obama, que participou de uma entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, com quem se reuniu em Ottawa.

O presidente dos Estados Unidos prestou homenagem aos 108 soldados canadenses mortos no Afeganistão desde o início da participação do Canadá na coalizão, em 2002.

Atualmente, Ottawa mantém 2.700 militares mobilizados no Afeganistão, e planeja trazê-los de volta em 2011.

Antes de viajar, Obama havia antecipado que não pressionaria o governo canadense a mudar de idéia, mas indicou que pediria o apoio do país vizinho para a elaboração de uma "estratégia conjunta" para o Afeganistão, o que incluiria uma ajuda ao desenvolvimento.

Perguntado sobre a inclusão do termo "Buy American" (literalmente, "Compre Americano") na nova lei de estímulo econômico promulgada na terça-feira, Obama garantiu que isso não afetará o comércio entre as duas nações.

"Eu disse ao primeiro-ministro Harper que quero aumentar o comércio, e não reduzi-lo", declarou o presidente americano. "Não acredito que haja nada no pacote de recuperação que esteja em contradição com esta meta".

Harper, por sua vez, anunciou que Canadá e Estados Unidos concordaram em lançar uma iniciativa comum para desenvolver tecnologias de energia limpa, que reduzam as emissões de gases causadores do efeito estufa.

"O presidente Obama e eu entramos em acordo sobre uma nova iniciativa, que aumentará nossa cooperação em matéria de proteção ao meio ambiente e da segurança energética", declarou Harper.

Na quarta-feira, vários ambientalistas fizeram um apelo para que Obama rejeitasse o "petróleo sujo" das reservas do oeste canadense, cuja exploração causa muita poluição.

O presidente americano chegou a Ottawa pouco antes das 15H30 GMT para uma visita de poucas horas, durante a qual conversou com Harper no Parlamento canadense, após ter se encontrado com a governadora geral do Canadá, Michaëlle Jean.

Os canadenses, que se sentiam ignorados por George W. Bush, ficaram felizes por Obama ter escolhido seu país como destino de sua primeira visita oficial como chefe de Estado.

Grande parte do centro da capital Ottawa amanheceu bloqueada, e uma multidão se aglomerou em um parque em frente ao Parlamento, onde Obama passou grande parte de sua estada.

"Viemos porque queremos ser parte da história e queremos ver Obama", explicou Sandra Skrypczinski, de Toronto, que disse ter chegado às quatro e meia da manhã com a filha para conseguir um bom lugar.

lal/ap/LR

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