Obama estende as mãos a Cuba e à A.Latina na Cúpula das Américas

Macarena Vidal. Port of Spain, 17 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ofereceu hoje um novo começo nas relações do país com Cuba em resposta à oferta de diálogo de Havana, um ato que significa o maior avanço para a retomada dos laços bilaterais em 50 anos.

EFE |

"Não estou interessado em falar sem pensar. Mas acho que podemos levar a relação entre EUA e Cuba a uma nova direção", destacou o líder na abertura da 5ª Cúpula das Américas, que começou hoje em Port of Spain.

No pronunciamento, Obama expressou disposição, manifestada durante a campanha eleitoral, de que o Governo americano "aborde com o Governo cubano uma ampla gama de assuntos, desde os direitos humanos e a reforma democrática até drogas, imigração e assuntos econômicos".

"Os EUA buscam um novo começo com Cuba", indicou o líder, que reconheceu que será "um longo caminho que deve ser percorrido para superar décadas de desconfiança, mas há passos fundamentais que podemos dar em direção a um novo dia".

As declarações do presidente americano representam o maior marco em um processo desenvolvido a ritmo vertiginoso nos últimos dias e que apontam para um incipiente degelo das relações entre Washington e Havana.

Além disso, buscam neutralizar os apelos do resto dos países latino-americanos para que seja levantado o embargo que os Estados Unidos impõem desde 1962 ao regime cubano.

Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1962 pelas ligações com os países do bloco sino-soviético.

Os apelos, que já começaram a ser feitos na cúpula com os primeiros discursos da presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e o líder nicaraguense, Daniel Ortega, ameaçavam dominar a cúpula, apesar de Cuba não participar do evento e de a situação do país não figurar na agenda oficial do encontro.

Na segunda-feira, Obama ordenou o levantamento das restrições às viagens e envios de remessas de parentes em direção a Cuba, assim como medidas para melhorar as comunicações entre os Estados Unidos e a ilha.

Em resposta, o presidente cubano, Raúl Castro, expressou na quinta sua disposição de "conversar com os EUA sobre democracia, liberdade e direitos humanos "em pé de igualdade", uma oferta que Obama parece ter aceitado hoje.

A oferta de Castro representa a maior abertura em direção a Washington em 50 anos. Até agora, o regime cubano se negava a abordar assuntos como os direitos humanos ou a democracia.

O presidente americano, no entanto, rejeita levantar o embargo, por enquanto. Ele quer que o regime castrista adote passos recíprocos, como libertação dos presos políticos ou o respeito aos direitos humanos e às liberdades de imprensa, expressão ou culto.

Horas antes do começo da cúpula, na República Dominicana, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, reconheceu que a política dos EUA em direção a Cuba fracassou, e recebeu bem as declarações do presidente cubano.

"Sentimos que a política (americana) em direção (a Cuba) fracassou", afirmou Hillary.

No discurso, Obama não só ofereceu um novo começo a Cuba, como também prometeu uma nova relação a todo o continente, baseada em "uma aliança de iguais".

"Não há um parceiro maior e outro menor em nossas relações; simplesmente há uma implicação baseada em nosso respeito mútuo, nossos interesses comuns e nossos valores compartilhados. Estou aqui para lançar um novo capítulo de aproximação que continuará durante meu mandato", assegurou.

Entre outras propostas, Obama prometeu "colaborar para garantir que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) adote os passos necessários para aumentar seu nível atual de crédito e para estudar cuidadosamente as necessidades de recapitalização no futuro".

Além disso, anunciou um novo Fundo de Crescimento para o Microfinanciamento, que contribuirá para restabelecer os empréstimos às empresas no continente.

Por fim, propôs a criação de uma nova Aliança das Américas para a Energia e o Clima, que buscará promover a eficácia no uso de energia, compartilhar tecnologia e melhorar sua infraestrutura. EFE mv/db

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