Obama estende a mão a Cuba na abertura da Cúpula das Américas

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta sexta-feira que está disposto a iniciar um amplo diálogo com Cuba, durante a abertura da Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, mas pediu objetividade a Havana.

AFP |

Obama também afirmou que veio a Port of Spain para abrir "um novo capítulo do diálogo" com seus homólogos latino-americanos, de "igual para igual", e com "respeito mútuo, interesses comuns e valores compartilhados".

"Tenho dito e repito hoje que estou preparado para que minha administração se comprometa com o governo cubano em um amplo leque de temas, desde direitos humanos, liberdade de expressão e reforma democrática até drogas, migração e assuntos econômicos", destacou Obama em seu discurso na Cúpula de Port of Spain.

"Serei claro: não estou interessado em falar por falar, mas acredito que podemos levar as relações com Cuba a uma nova direção", disse Obama, afirmando que os Estados Unidos "buscam um novo começo com Cuba".

O presidente americano admitiu que "será uma viagem longa para superar décadas de desconfiança" entre Washington e Havana.

Obama prometeu aos líderes latino-americanos "buscar uma associação de igual para igual (...) Sem parceiros maiores ou menores em nossas relações; simplesmente com um compromisso baseado no respeito mútuo, nos interesses comuns e nos valores compartilhados. Estou aqui para lançar um novo capítulo do compromisso que manterei durante meu governo".

Abertura do evento

Na abertura da cúpula, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu aos Estados Unidos a suspensão do embargo a Cuba mantido desde 1962, que qualificou de "anacronismo", e disse que não se pode perder esta oportunidade histórica de construir "uma nova relação entre as Américas".

"Estamos nesta quinta Cúpula com a esperança de dar o primeiro passo para uma nova ordem regional", destacou Kirchner, acrescentando que "o grande desafio é a integração e não a ingerência em nossos países".

Kirchner salientou que seu pedido por Cuba "de maneira nenhuma significa uma crítica" a Obama, que "anulou as absurdas restrições impostas por George W. Bush" sobre viagens e envio de dinheiro à Ilha.

Na véspera, o presidente de Cuba, Raúl Castro, manifestou sua disposição por um diálogo aberto com os Estados Unidos, mas apenas em "igualdade de condições e sem a menor sombra sobre a soberania" cubana.

"Já mandamos dizer ao governo americano, inclusive em público, que estamos abertos a discutir tudo, direitos humanos, liberdade de imprensa, presos políticos, (...) mas isto deve ser em igualdade de condições, sem a menor sombra sobre nossa soberania e sem a mínima violação do direito a autodeterminação do povo cubano", disse Castro em Cumaná (leste da Venezuela), durante a reunião Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA).

Críticas

Nesta sexta-feira, Obama respondeu com um sorriso às críticas do presidente nicaraguense, Daniel Ortega, que passou em revista algumas "agressões" dos EUA à América Latina nas últimas décadas.

Ortega também investiu contra a reunião ao se negar "a chamar isto de Cúpula das Américas", porque não inclui Cuba e Porto Rico.

"Aqui há dois grandes ausentes, um é Cuba, cujo crime foi lutar por sua independência e pela soberania dos povos (...) e o outro é este povo ainda submetido às políticas colonialistas: me refiro ao povo irmão de Porto Rico", disse Ortega sob aplausos.

Em um momento de distensão, Obama e o líder venezuelano, Hugo Chávez, um severo crítico de Washington, apertaram as mãos em Port os Spain.

"Foi por segundos, se olharam e ocorreu o cumprimento, durante a abertura oficial (da Cúpula). Algo muito rápido. O presidente Chávez saudou Obama em espanhol e este respondeu em inglês", revelaram à AFP fontes da presidência venezuelana.

"Com esta mão, há oito anos, saudei (George W.) Bush. Quero ser seu amigo", disse Chávez, conciliador, a Obama.

Os 34 líderes do continente, que representam 800 milhões de pessoas, têm uma agenda centrada na prosperidade, na aposta de uma energia limpa e renovável, e na governabilidade democrática.

As possíveis soluções regionais para a crise econômica mundial também ocuparão um lugar fundamental nas discussões.


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