María Peña. Washington, 24 nov (EFE).- Tim Geithner, atual presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York, foi nomeado hoje para comandar o Departamento do Tesouro durante o Governo do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.

"Xerife" de Wall Street nos últimos anos e visto como um homem acostumado a lidar com situações extremas, Geithner será o timoneiro da equipe econômica de Obama e uma das vozes de maior ressonância na nova agenda para o setor, que está sendo elaborada para fazer frente a uma "crise de proporções históricas".

Durante uma entrevista coletiva em Illinois (Chicago), Obama se desmanchou em elogios à carreira e à figura de Geithner, descrito como um líder experiente e com "um conhecimento sem igual" da crise que atinge os EUA.

Defensor das parcerias público-privadas, Geithner reconhece que os problemas da economia não foram criados da noite para o dia, razão pela qual sempre disse que "levará algum tempo" até a situação ser resolvida.

Com apenas 47 anos, Geithner é um líder pragmático como Obama, mas, devido à sua conhecida timidez, evita ficar no centro das atenções e sob os holofotes.

Contudo, sua experiência e temperamento, modelados em Wall Street, fazem dele, segundo a equipe de Obama, o "homem certo" para substituir Henry Paulson como secretário do Tesouro e minimizar os efeitos de uma crise que ameaça mergulhar a economia americana em sua maior recessão nas últimas décadas.

Acostumado a lidar com crises, atualmente Geithner integra com Paulson e o presidente nacional do Fed, Ben Bernanke, a "troika" do sistema financeiro, o que o fez ficar atolado em trabalho desde que a economia americana começou a entrar em colapso.

Geithner também foi uma das figuras-chave na aquisição do banco Bear Stearns pelo J.P.Morgan Chase em meados de março, algo que motivou tanto críticas como elogios.

Antes de ter virado o nono presidente do Fed de Nova York, em 2003, este nova-iorquino nascido no Brooklyn já havia montado uma ampla carteira de clientes e se destacado por seu conhecimento sobre assuntos financeiros.

Além disso, Geithner sabe como funcionam as engrenagens do Departamento do Tesouro, ao qual se incorporou em 1988 e onde, posteriormente, foi promovido a secretário adjunto para Assuntos Internacionais, posto que ocupou de 1999 a 2001, durante a Presidência de Bill Clinton.

Foi nesses anos que o especialista trabalhou estreitamente com o ex-secretário do Tesouro Robert Rubin e com Larry Summers, que hoje também foi escolhido para ser diretor do Conselho Econômico Nacional.

Em 1997, o nome de Geithner ganhou ainda mais projeção, já que ele ajudou no combate à crise financeira que surgiu na Ásia nesse ano, ajudado, sem dúvida, por seu sólido conhecimento do continente: fala japonês e mandarim e viveu na Índia, na China, no Japão e na Tailândia.

O economista também foi diretor do Departamento de Desenvolvimento de Políticas e Revisão do Fundo Monetário Internacional (FMI), entre 2001 e 2003.

Além disso, antes de chegar ao Departamento do Tesouro, trabalhou para a empresa Kissinger Associates, criada pelo ex-secretário de Estado Henry Kissinger.

Casado e com dois filhos, Geithner se formou em Governo e Estudos Asiáticos na Dartmouth College, em 1983, e, anos depois, fez mestrado em Economia Internacional e Estudos do Leste da Ásia na Universidade Johns Hopkins.

No seu tempo livre, ele joga tênis, surfa e pesca, embora sua maior paixão seja a análise de tendências econômicas.

Dentro e fora de Wall Street, alguns economistas antecipam que Geithner, que já havia alertado para o voraz apetite por investimentos arriscados antes do desabe financeiro, deverá ajudar na reforma do setor. EFE mp/sc

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