Obama escolhe afilhado político de Clinton para Departamento de Comércio

César Muñoz Acebes. Washington, 3 dez (EFE).- O governador do Novo México, Bill Richardson, talvez o democrata de origem latina mais influente dos Estados Unidos, é um político cortês, astuto e muito bem-visto pelos empresários, o que lhe virá bem a calhar em sua próxima empreitada: a de futuro secretário de Comércio do país.

EFE |

Nesta quarta-feira, o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, confirmou que Richardson é sua escolha para o Departamento de Comércio, órgão encarregado de promover o desenvolvimento da tecnologia e da economia americanas.

Obama deve muito a Richardson, que em março anunciou seu apoio ao então pré-candidato à Presidência em um momento crítico, no qual o escritório de campanha do oponente de Hillary Clinton na disputa pela candidatura democrata encontrava-se acuado pelos comentários incendiários do pastor Jeremiah Wright.

E foi exatamente por causa da amizade com a família Clinton que o apoio do governador do Novo México a Obama foi considerado tão significativo e, ao mesmo tempo, surpreendente, já que Bill Clinton é tido como seu mentor político.

Apesar de na época ter sido chamado até de traidor pelos assessores de Hillary, Richardson, ao escolher o político de Illinois, deu mais uma mostra de seu bom tino para a política, que o levou de uma infância na Cidade do México aos círculos do poder nos EUA.

Politicamente, no que se refere às questões sociais, o governador enquadra-se na ala dos mais liberais, tanto que, por exemplo, apóia a regularização dos 12 milhões de imigrantes ilegais que vivem no país.

No entanto, em temas econômicos, é moderado: Richardson se gaba de ser um democrata que diminuiu os impostos no Novo México e já declarou que "o motor da oportunidade econômica" é o setor privado, não o Governo.

Como secretário de Comércio, o político de origem latina substituirá Carlos Gutiérrez, que dedicou sua gestão a promover o livre-comércio com a América Latina e foi o porta-voz do Governo republicano nos assuntos relacionados a Cuba, seu país natal.

Richardson, por outro lado, nasceu em 1947, nos EUA, por insistência do pai, que, na época, enviou sua esposa mexicana a Pasadena (Califórnia) para dar à luz.

Aos 13 anos, o futuro secretário de Comérico dos EUA também foi mandado pelo pai para o outro lado da fronteira norte do México, para que concluísse seus estudos em um internato em Massachusetts.

"Os mexicanos não me aceitavam pelo meu nome em inglês e, quando fui estudar nos EUA, os americanos me chamavam de Pancho, de modo que também não me integrava", escreveu o político em sua biografia, intitulada "Between Worlds: The Making of an American Life" ("Entre dois mundos: A formação de uma vida americana", em tradução livre).

Por conta de suas origens, o democrata teve que se acostumar a ser o único aluno latino da escola. Em contrapartida, ficou popular por ser um dos melhores jogadores de beisebol da equipe.

Talvez essa necessidade precoce de ter que lidar com uma sociedade diferente tenha sido a raiz de seus maiores sucessos políticos na vida adulta.

Como congressista por Novo México, Richardson se encontrava a caminho da Coréia do Norte em 1994 quando Pyongyang derrubou um helicóptero americano que tinha entrado em seu território por engano.

Clinton, na época presidente, pediu ao governador que negociasse com a Coréia do Norte a saída dos pilotos, o que colocou Richardson no centro das atenções. O então congressista conseguiu que o regime comunista revelasse que um dos americanos morrerra no episódio. O outro foi libertado pouco depois.

Aí começou a carreira de Richardson como mediador, às vezes de forma oficial, outras em nome de famílias de detidos, nos pontos mais conflituosos do mundo.

Ele se encontrou com Saddam Hussein em Bagdá em 1995 e obteve a libertação de dois empresários americanos.

Um ano depois, se reuniu com Fidel Castro e convenceu-o a libertar da prisão três dissidentes. Richardson também conversou com líderes do Talibã e obteve um cessar-fogo temporário no conflito de Darfur, no Sudão.

Em razão desses êxitos, Clinton premiou-o com o posto de embaixador na ONU e, posteriormente, como secretário de Energia. No entanto, a gestão de Richardson acabou ofuscada por um caso de espionagem nuclear no Laboratório Nacional de Los Alamos.

Após o mandato de Clinton, o político latino se despediu silenciosamente de Washington e, em 2002, se apresentou às eleições no Novo México, tornando-se o primeiro governador latino de um estado americano.

Este ano, disputou as primárias de seu partido à Presidência, mas logo se retirou da corrida eleitoral devido ao pouco apoio recebido.

Agora, retornará a Washington graças a Obama.

DADOS BÁSICOS Nome: William Blaine Richardson III Nascimento: 15 de novembro de 1947 em Pasadena (Califórnia) Esposa: Barbara Flavin Richardson. Casaram-se em 15 de agosto de 1972.

Filhos: Nenhum Religião: Católico.

Educação: Formado pela Universidade de Tufts em 1970 e Mestrado na Escola de Direito e Diplomacia Tufts Fletcher.

Carrera Profissional: Empregado do Comitê de Relações Exteriores do Senado, 1976-1978. Diretor-executivo do Partido Democrata estadual do Novo México, 1978. Diretor da empresa de consultoria Richardson Trade Group, 1978-1982. Congressista pelo Novo México, 1983-1997. Embaixador dos EUA perante Nações Unidas, 1997-1998.

Secretário de Energia, 1998-2001. Diretor-gerente sêniors da empresa de consultoria Kissinger McLarty, 2001-2002. Governador do Estado do Novo México, 2003 até o momento. EFE cma/sc

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