Obama envia mensagem polêmica para que estudantes se esforcem

Washington, 8 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou hoje uma mensagem aos estudantes para pedir que se esforcem diante dos livros, em discurso no início do ano letivo que foi muito criticado pelos conservadores.

EFE |

Em seu discurso, na escola de ensino médio Wakefield, em Arlington, nos arredores de Washington, o presidente americano pediu aos estudantes que "assumam suas responsabilidades" e assistam às aulas, "obedeçam aos professores, escutem os pais, avôs e outros adultos, e trabalhem duro para conseguir êxito".

Sem o esforço pessoal dos estudantes, disse, não importa se os professores são excelentes ou se o material escolar for o melhor existente.

Obama se referiu a sua própria história pessoal para evidenciar como o trabalho acaba trazendo sua recompensa.

Assim, lembrou que sua mãe acordava às 4h30 para dar-lhe aulas complementares quando moravam na Indonésia, nos primeiros anos letivos do que seria o futuro presidente dos Estados Unidos.

"Precisamos que cada um de vocês desenvolva seus talentos, sua inteligência e suas habilidades para poder resolver nossos problemas mais difíceis", pediu.

"Se não fizerem isso, se deixarem a escola, não só abandonarão vocês mesmos, abandonarão seu país", disse, em meio a entusiasmados aplausos dos estudantes presentes.

O discurso do presidente americano tinha recebido muitas críticas desde que foi anunciado, na semana passada.

Grupos conservadores tinham considerado que a mensagem do presidente equivalia a um "doutrinamento" político.

Associações de pais protestaram pelo fato de o discurso ser transmitido nas escolas, e alguns centros de ensino optaram por não mostrá-lo aos alunos ou pedir a permissão dos responsáveis do aluno para que o mesmo ouvisse a mensagem.

Na escola Wakefield, que conta com cerca de 1,4 mil alunos, um grupo de manifestantes se concentrou na porta à espera da chegada do presidente americano.

Outros membros do Governo de Obama tinham previsto também pronunciar discursos semelhantes em outras escolas.

O secretário da Educação americano, Arne Duncan, disse hoje que a polêmica não tem sentido e lembrou que outros presidentes também se dirigiram aos estudantes para pedir que se esforcem no início do ano letivo.

O presidente George Bush lançou uma mensagem semelhante em 1991 aos estudantes em discurso televisionado em uma escola, no qual lhes pediu para dizer "não" às drogas e dar tudo de si nas aulas. Então, foram os democratas que acusaram o líder de politizar os estudantes.

Em parte, a polêmica atual tem suas raízes não tanto no discurso em si, mas em uma proposta sugerida pelo Departamento de Educação para acompanhar a mensagem de Obama.

A proposta inicial recomendava que os estudantes redigissem cartas nas quais expusessem "o que podem fazer para ajudar o presidente".

Duncan reconheceu que essa parte da proposta poderia ter sido mais bem escrita e disse que foi modificada para que, em vez disso, os estudantes analisem o que podem fazer para tornar realidade suas próprias metas.

Obama, que em sua mensagem não se referiu em nenhum momento à polêmica, contou com um aliado inesperado, a ex-primeira-dama Laura Bush.

De Paris, Laura Bush - que luta firmemente contra o analfabetismo - mostrou sua estima à iniciativa de Obama, e disse que os pais devem "seguir seu exemplo e incentivar seus próprios filhos a permanecer na escola, a estudar muito, e tentar alcançar seus sonhos".

Outros não ficaram tão convencidos. O Instituto Cato, um centro de estudos conservador, afirmou, em comunicado em seu site que, "apesar de seu tom geralmente inócuo, o discurso contém algumas afirmações políticas e ideológicas polêmicas".

"Não importa o quão inócuo seja o conteúdo em geral, certamente pode ser um discurso com metas muito políticas que pretende dar ao presidente à cálida luz de um homem que se preocupa com as crianças", afirma. EFE mv/an

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