Obama entra na história aclamado por uma multidão

Macarena Vidal. Washington, 20 jan (EFE).- Juro solenemente defender a Constituição.

EFE |

..": com estas palavras, Barack Obama entrou para a História como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, deixando o Capitólio e toda a cidade de Washington em um grande êxtase.

Mais de um milhão de pessoas começaram a se concentrar desde a madrugada em torno ao Capitólio, e ao longo do Mall - o longo parque que liga a sede do Congresso com o Monumento a Lincoln através do centro de Washington - para assistir à cerimônia de posse mais esperada das últimas décadas.

Todos os convidados esperados estavam no local: a Corte Suprema, os membros da Câmara e os senadores, o Governo que estava saindo e todos que o comporão a partir de agora, além dos chefes do Estado-Maior.

Uma constelação de famosos também participou da cerimônia de posse. A cantora Beyoncé, o rapper Kanye West, e o músico Jay-Z vestido a rigor, que afirmava à imprensa que nunca tinha pensado em estar ali. "É uma sensação incrível, um dia precioso para os Estados Unidos", disse.

Também estavam muitos dos que, em condições normais, também não contariam. Ezra Mills, um ex-soldado de 79 anos de raça negra, lembrava com lágrimas nos olhos sua infância de segregação no Alabama.

Todos eles desafiaram as gélidas temperaturas reinantes hoje na capital americana, onde a sensação térmica era de nove graus Celsius abaixo de zero, para participar de um fato histórico que muitos deles admitiam que não achavam que chegariam a ver na vida.

A chegada do ex-presidente Bill Clinton e sua esposa, Hillary, foi amparada por uma enorme ovação. Aplausos corteses receberam George Bush pai. O presidente em fim de mandato, George W. Bush, foi amparado nas arquibancadas com um eloquente silêncio e com fortes vaias entre as massas no Mall.

O entusiasmo transbordou com a chegada de Obama, ao qual tinham precedido suas filhas Malia e Sasha e sua esposa, Michelle.

Com o Capitólio coberto de bandeiras e completamente enfeitado, a senadora Dianne Feinstein, como presidente do Comitê de Posse do Congresso, inaugurou a cerimônia ao dar as boas-vindas à posse do presidente número 44 dos Estados Unidos.

O pastor Rick Warren, cuja escolha foi rodeada de polêmica devido a sua oposição ao casamento homossexual, pronunciou uma oração na qual assegurou que hoje Martin Luther King - o grande defensor dos direitos civis - está gritando de alegria no Céu.

A estrela do "soul" Aretha Franklin interpretou a canção "My Country, This is of Thee" e os virtuosos Yo-Yo Ma, ao violoncelo, a venezuelana Gabriela Montero ao piano e Yitzak Perlman ao violino interpretaram uma peça do músico John Williams composta especialmente para a ocasião.

O vice-presidente, Joe Biden, jurou perante o juiz do Supremo John Paul Stevens, com voz firme e enquanto sua esposa, Jill, segurava a Bíblia para ele.

Era a vez de Obama. "Preparado, senador?", perguntou o presidente do Tribunal Supremo, John Roberts, que tomou seu juramento sobre a Bíblia na qual o presidente que aboliu a escravidão, Abraham Lincoln, também jurou respeitar a Constituição.

O novo presidente pareceu gaguejar ao começar a pronunciar o juramento, o que motivou seu sorriso e o do presidente do Supremo.

Uma salva de canhão e o delírio do público seguiram à frase "Parabéns, ao senhor presidente", com a qual Roberts cumprimentou o novo chefe de Estado.

"Obama! Obama! Obama!", aclamaram as cerca de dois milhões de pessoas espalhadas ao longo do Mall.

O recém empossado presidente, sério, lembrou em seu discurso de posse os problemas que o país enfrenta neste momento: duas guerras abertas e uma grave crise econômica. "Mas superaremos esses desafios", prometeu.

"Chegou o fim da era das queixas mesquinhas, das falsas promessas na política dos EUA. Vai começar, uma nova era de responsabilidade, falou entre aplausos.

Um poema da autora Elizabeth Andrews e uma oração do reverendo Joseph Lowry, um veterano da luta pelos direitos civis, encerraram a cerimônia, transformada então em um contínuo aplauso.

A ovação maior, no entanto, não foi para Obama. A mais ruidosa aconteceu quando decolou do Capitólio o helicóptero que levou o já ex-presidente George W. Bush.

O senador por Massachusetts Edward Kennedy, que tem um tumor no cérebro, desmaiou durante o almoço após a posse de Obama no Capitólio e teve que ser retirado de maca do prédio, informou a "CNN".

Além disso, o senador por Virgínia Ocidental Robert Byrd, que tem idade avançada e sofre de mal de Parkinson, também precisou de atendimento médico e foi retirado do Capitólio.

Após o almoço, começou o desfile em comemoração à posse do novo presidente, que saiu das escadarias do Cápitólio.

Após assistir ao desfile das tropas de honra, Obama e sua mulher, Michelle, entraram no automóvel presidencial e iniciaram o percurso pela Avenida Pensilvânia até a Casa Branca. EFE mv/ma

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