Obama enfrenta o desafio de cumprir a mudança prometida aos americanos

César Muñoz Acebes. Washington, 5 nov (EFE).- Do próximo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se espera a partir de hoje que cumpra as enormes expectativas que criou em seu país e que ajuste suas promessas à realidade de uma crise econômica profunda.

EFE |

A euforia ainda envolve seus partidários, que comemoraram a vitória com buzinas e bandeirolas até a madrugada em muitas cidades do país em uma festa espontânea e inusitada que levou milhares de pessoas inclusive para a entrada da Casa Branca.

No entanto, a equipe de Obama, que está há meses se preparando para a transição, sabe que os problemas do país são muito agudos para se acomodarem com o triunfo.

O senador de Illinois herda duas guerras, uma economia feita em pedaços e um Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, ainda determinado a atacar os EUA.

Hoje, o Governo entregará aos assessores de Obama as chaves de um escritório de transição no centro de Washington de 9.300 metros quadrados, que receberá um grupo de, no máximo, 500 pessoas.

Fontes da campanha democrata afirmaram que Obama poderia anunciar os principais membros de seu gabinete ainda esta semana.

Com isto, se tentará evitar os erros cometidos por Bill Clinton, que em 1992 chegou à Casa Branca respaldado por uma maioria democrata no Congresso, mas cuja falta de disciplina na transição do poder semeou as bases de um início negativo. Seu erro foi querer fazer tudo ao mesmo tempo, declaram os analistas.

"Os primeiros dois anos da administração de Clinton foram um desastre para os democratas", declarou à Agência Efe Steven Smith, professor de Ciências Sociais da Universidade de Washington em Saint Louis (Missouri).

Obama também gozará de uma grande maioria no Congresso e deverá definir o que deseja de verdade e convencer os líderes de seu partido na Legislatura para que o apóiem.

O que parece inevitável é que será obrigado a diminuir o tom de suas promessas eleitorais, por causa da crise econômica.

"Todas as suas propostas vão se chocar com a realidade fiscal do país", declarou Theodore Moran, catedrático de finanças da Universidade de Georgetown.

No discurso da vitória em Chicago, o próprio Obama advertiu que "o caminho pela frente será longo".

"Pode ser que não cheguemos em um ano ou inclusive em um mandato, mas, americanos, nunca tive tanta esperança como esta noite de que chegaremos", disse o presidente eleito ao país.

A economia será a questão a ser tratada com maior urgência e seus assessores afirmam que prevêem que Obama anuncie nos próximos dias seu secretário do Tesouro, que deverá ser ratificado no cargo pelo Senado.

Até o dia 20 de janeiro, dia da posse, ficarão em seus cargos os principais diretores atuais deste departamento, anunciou o Governo.

O Congresso poderia não esperar tanto para aprovar o estímulo fiscal que propôs Obama, no valor de US$ 175 bilhões.

O projeto de lei que no qual os democratas trabalham por enquanto prevê usar cerca de US$ 100 bilhões para investimentos em infra-estrutura, ajuda aos estados e aos municípios, assistência aos pobres e subsídios para o desemprego.

O objetivo seria dar oxigênio a uma economia que, segundo todos os sinais, entrou em recessão, mas alguns economistas acreditam que o pacote necessitaria de US$ 300 bilhões a US$ 500 bilhões para ter efeito.

Esse volume de despesa colocaria o déficit fiscal do país no trilhão de dólares no atual ano fiscal, que começou em outubro.

Por enquanto, inclusive economistas obcecados com o equilíbrio fiscal como Robert Rubin, ex-secretário do Tesouro de Clinton, aceitam que será necessário se esquecer do orçamento a curto prazo, mas quando a economia melhorar os Estados Unidos terão que ajustar o cinto.

Isto apertará a margem de manobra de Obama para impulsionar suas diminuições tributárias e sua reforma do sistema de saúde, segundo os especialistas.

Obama terá outras preocupações além da economia, como buscar opções para o Iraque e o Afeganistão e para os prisioneiros da prisão de Guantánamo, que prometeu fechar.

O que é certo é que não falta trabalho para um homem que prometeu mudar Estados Unidos e o mundo. EFE cma/fal

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