Obama endurece tom contra Irã, mas nega interferência dos EUA

O presidente americano, Barack Obama, condenou a repressão violenta do governo iraniano contra os manifestantes que contestam o resultado das eleições, ao mesmo tempo em que negou as acusações de interferência feitas por Teerã, afirmando que respeita a soberania do país.

AFP |

Obama disse nesta terça-feira que existem dúvidas sobre a legitimidade das eleições no Irã.

Destacou que não havia observadores internacionais acompanhando de perto as eleições presidenciais, que oficialmente foram vencidas pelo atual presidente Mahmoud Ahmadinejad.

"Não podemos dizer exatamente o que aconteceu nas seções de votação através do país. O que sabemos é que existe uma considerável porcentagem da sociedade iraniana que considera esta eleição ilegítima", declarou.

Obama também afirmou que a legitimidade da reeleição do conservador Mahmoud Ahmadinejad levanta "questionamentos sérios".

"Condeno energicamente estes atos injustos, e me uno ao povo americano que lamenta cada uma das vítimas inocentes", indicou Obama, em seu discurso mais firme desde as eleições iranianas, no dia 12 de junho.

Os Estados Unidos têm "dúvidas importantes" sobre a legitimidade das eleições no Irã, acrescentou o presidente.

No entanto, "deixo claro que os EUA respeitam a soberania da República Islâmica do Irã, e não vai intervir nos assuntos do Irã", afirmou.

Obama lamentou que o governo iraniano acuse "os Estados Unidos e outros (países ocidentais) de estar por trás das manifestações de rua realizadas depois das eleições presidenciais".

O presidente americano pediu a Teerã que "governe por consenso, não pela força", referindo-se à violenta repressão que marcou os protestos no Irã, e que deixou pelo menos 17 mortos, uma centena de feridos e centenas de detidos.

O governo iraniano descartou nesta terça-feira a anulação das polêmicas eleições presidenciais, e anunciou que o presidente reeleito e seu gabinete assumirão suas funções entre 26 de julho e 19 de agosto.

Até hoje, Obama vinha mantendo uma postura mais prudente ao falar da crise iraniana, demonstrando uma leve simpatia pelos manifestantes e deixando claro seu desejo de não intervir em assuntos internos iranianos, num momento em que os EUA tentam iniciar um diálogo com Teerã.

A condenação da repressão por parte de Obama coincide com as do alto representante para a política exterior da União Europeia, Javier Solana, e de representantes de Israel e da Itália, que criticaram duramente o regime iraniano.

bur-dab/ap

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