Obama elogia mediação brasileira na AL, diz embaixador

O senador Barack Obama tem uma visão favorável sobre o papel do Brasil em ajudar a aplacar conflitos na América Latina - como na recente tensão entre Colômbia e Equador - e sobre o papel das tropas do país no Haiti. Mas as autoridades brasileiras e o senador democrata divergem no que diz respeito a ações adotadas pela Colômbia contra guerrilheiros que atuam além de suas fronteiras.

BBC Brasil |

Essas foram as impressões colhidas pelo embaixador do Brasil em Washington, Antonio Patriota, após um encontro com um dos principais assessores de política externa do provável candidato democrata, o professor Anthony Lake, e após pronunciamentos do senador.

Lake leciona na Universidade de Georgetown, em Washington, foi assessor de Segurança Nacional do governo Bill Clinton e, entre outras funções, representou a administração Clinton no Haiti. O assessor de Obama julga, inclusive, que a atuação dos soldados brasileiros que comandam as forças de paz no país caribenho é ''uma história de êxito''.

Mediação
O provável candidato democrata também teria expresso apreço pela mediação do Brasil para pôr fim ao embate entre os governos colombiano e equatoriano.

A tensão entre as duas nações foi desencadeada pela ação militar da Colômbia contra o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (as Farcas) em território equatoriano, em março deste ano.

Talvez a divergência mais marcante entre as posições do Brasil e do democrata seja em relação à posição adotada pela Colômbia.

Em um discurso realizado por Obama em maio passado, o senador disse ''apoiar integralmente a luta da Colômbia contra as Farc" e destacou que defende o ''direito da Colômbia de atacar terroristas que buscam abrigo seguro cruzando as fronteiras."
Divergência
De acordo com o embaixador brasileiro, essa posição não é compatível com a decisão unânime da Organização de Estados Americanos (OEA), que condenou a incursão militar, e nem mesmo com a retratação dos próprios colombianos, que se desculparam pela ação e se comprometeram a não realizar operações similares.

Diferentemente do republicano John McCain, que defende o ingresso do Brasil como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU, Obama teria, nos dizeres de Patriota, ''uma disposição favorável, mas não um compromisso explícito'' com a pretensão brasileira de ingressar no conselho.

Anthony Lake também é adepto de uma proposta similar à do republicano, a de criar uma entidade internacional que una nações democráticas, que ele batizou de um ''concerto de democracias'', em um recente artigo, que contaria com a presença do Brasil.

O embaixador Patriota frisou, no entanto, que a proposta de Lake é uma idéia que não conta com o endosso de Obama e é um projeto mais ameno que o de McCain, que defende a criação de uma Liga de Democracias, das quais o Brasil seria um membro, mas dos quais países supostamente autocráticos, como Rússia e China, ficariam de fora.

Pensando 'igual'
O republicano também defendeu a inclusão do Brasil no G-8 e a exclusão de China e Rússia (grupo que reúne os russos e as sete nações mais ricas do mundo).

O embaixador disse que o Brasil expressou à campanha do republicano a tese defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a suposta ineficácia de ''uma união só com grupos que pensam igual''.

No entender de Patriota, o fato de Obama não endossar a proposta de Lake talvez se dê justamente por isso, o fato de o senador preferir ''privilegiar o multilateralismo'' e o ''papel de órgãos multilaterais como a ONU''.

'Reparos'
Patriota também avaliou que as posições de Obama sobre a Amazônia e sobre a produção brasileira de etanol ''exigiriam reparos''.

No recente documento Uma Nova Parceria para as Américas, divulgado pela campanha de Barack Obama, o senador afirma que a liderança do Brasil no campo de biocombustíveis desperta preocupações.

''Ainda que o cultivo de cana-de-açúcar (base do etanol brasileiro) não tenha provocado um pesado desmatamento, da mesma maneira que a produção de soja causou, ambientalistas se preocupam que a crescente demanda possa levar os fazendeiros de soja para a Amazônia'', afirma Obama.

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