Obama elogia líder cubana das Damas de Branco, morta sexta-feira

Laura Pollán foi homenageada hoje com um altar simples montado em um bairro pobre de Havana

iG São Paulo |

O presidente americano, Barack Obama, lembrou neste sábado o trabalho pela liberdade da líder do grupo opositor cubano, Laura Pollán , que morreu na sexta-feira em Havana.

"Pollán e a silenciosa dignidade das Damas de Branco deram voz de forma valente ao desejo dos cubanos e de todo o mundo de viver em liberdade", afirmou o presidente em comunicado.

A principal líder das Damas de Branco, grupo de mulheres de ex-presos políticos, morreu na noite de sexta-feira de uma parada cardiorrespiratória aos 63 anos em um hospital de Havana, onde tinha sido internada havia uma semana com insuficiência respiratória.

"As orações do presidente (Obama) estão com a família, amigos e colegas de Laura Pollán", afirmou a Casa Branca.

O governo americano reconheceu que "através de suas ações valentes, as Damas de Branco conseguiram chamar a atenção sobre o sofrimento daqueles que foram injustamente mantidos em prisões cubanas e impulsionaram as autoridades a libertar os prisioneiros políticos"

A líder das "Damas de Branco", Laura Pollan, foi homenageada no sábado (15) com um altar simples montado na sua casa, em um bairro pobre de Havana, com promessas de que o grupo fundado por ela e que desafiou o governo de Cuba vai continuar o seu trabalho.

Alguns dos principais dissidentes do país, assim como diplomatas dos EUA, participaram do velório de Pollan, uma ex-professora que se tornou uma das principais vozes da oposição, em Cuba. Ela morreu na sexta-feira , aos 63 anos, depois de uma breve doença. O corpo de Laura foi cremado neste sábado.

Amigos e parentes levaram parte de suas cinzas à localidade natal da ativista, Manzanillo (leste do país), onde vão distribuí-las entre o túmulo da família e, como ela desejava, em um campo de flores.

Os líderes da ilha comunista não se pronunciaram sobre a sua morte.

Polland liderou a fundação do grupo Damas de Branco, depois que 75 dissidentes, inclusive seu marido, Hector Maseda, foram presos durante uma ação do governo, em 2003, conhecida como a Primavera Negra de Havana.

Vestidas de branco, e cada uma carregando uma única flor branca, as mulheres desafiavam a pressão do governo, protestando em silêncio, todo domingo em uma das principais avenidas de Havana, exigindo a libertação dos seus entes queridos. No fim de cada protesto, elas gritavam em uníssono, "Libertad" (liberdade).

Protestos públicos eram raros na época e continuam sendo uma raridade numa Cuba controlada a pulso de ferro, onde o governo vê os dissidentes como mercenários dos EUA, seu inimigo de longa data, que trabalha em estreita colaboração com os dissidentes para promover uma mudança política.

No ano passado, depois da condenação internacional pela morte de um dissidente preso depois de uma longa greve de fome, o presidente Raul Castro cedeu e libertou 115 presos políticos, incluindo aqueles presos na ação de 2003, em um acordo mediado pela Igreja Católica.

As Damas de Branco, dizendo que Cuba ainda tem presos políticos, continuaram seus protestos e continuarão a fazê-los, nesse domingo e no futuro, disse Berta Soler, amiga de longa data de Pollan e que liderava o grupo com ela.

"Vamos continuar nossa luta pacífica pela libertação de todos os presos políticos. Também vamos continuar a defender os direitos humanos do povo cubano", prometeu Soler.

"Vocês precisas continuar como têm feito até agora, com inteligência, sem aceitar provocações. Vocês se tornaram um punhal no meio do coração do governo", disse Hector Maseda, marido de Pollan, durante o velório.

As Damas de Branco ganharam o prêmio Sakharov de direitos humanos, que leva o nome do dissidente Andrei Sakharov, do parlamento europeu, e foi candidato ao Prêmio Nobel da Paz.

Pollan morreu de parada cardíaca, em um hospital de Havana, onde estava em tratamento desde 7 de outubro, devido a uma doença pulmonar.

Alguns dos seus partidários levantaram dúvidas sobre a qualidade do tratamento médico dado a ela, pelo sistema de medicina estatal do país, mas Maseda elogiou a equipe médica e disse que "eles tentaram salvar a vida da minha esposa até o último minuto."

Laura Pollán morreu na sexta-feira aos 63 anos de uma parada cardíaca após permanecer sete dias hospitalizada em estado grave por insuficiência respiratória.

O Governo dos Estados Unidos, por sua vez, destacou que seguirá dando apoio ao povo cubano em suas aspirações por liberdade, em memória de Laura Pollán.

(Com informações da EFE, AFP e Reuters)

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