Obama elogia heroísmo em base militar de Fort Hood

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou o heroísmo de soldados e civis na resposta ao ataque contra a base militar de Fort Hood, no Texas, que deixou 13 pessoas mortas e cerca de 30 feridos na quinta-feira. Em seu discurso semanal, Obama disse que apesar de o ataque mostrar o pior da natureza humana, ele também provocou uma resposta com o que há de melhor nos Estados Unidos.

BBC Brasil |

O major Nidal Malik Hasan, muçulmano de origem palestina nascido e criado nos Estados Unidos, abriu fogo contra um grupo de militares e civis em Fort Hood, na quinta-feira à tarde.

O psiquiatra de 39 anos de idade levou quatro tiros e permanece em coma, em um hospital militar.

Na sexta-feira à noite, centenas de pessoas realizaram uma vigília à luz de velas no estádio do complexo militar, em memória das vítimas.

Ataque devastador
Obama disse que o ataque foi "um dos mais devastadores já cometidos contra uma base militar americana".

Mas, disse ele, "nós vimos soldados e civis correndo para ajudar os companheiros caídos; rasgando suas roupas para tratar os feridos; usando blusas como torniquetes; dominando o responsável pelo ataque mesmo quando estavam feridos".

"Não temos como entender completamente o que leva um homem a fazer uma coisa dessas. Mas o que sabemos é que nossos pensamentos estão com cada um dos homens e mulheres feridos em Fort Hood."
Temendo uma possível reação contra os muçulmanos nas Forças Armada, o presidente ainda destacou a natureza multicultural do exército americano.

"Eles são americanos de todas as raças, religiões e situações. Eles são cristãos e muçulmanos, judeus e hindus e agnósticos. Eles são descendentes de imigrantes e imigrantes eles mesmos. Eles refletem a diversidade que faz os Nossos Estados Unidos."

Cerimônia
O ministro do Exterior do Japão disse que Obama adiou em um dia sua visita ao país, onde deve chegar no dia 13 de novembro. Acredita-se que a decisão foi tomada para permitir que o presidente compareça a uma cerimônia em memória das vítimas.

Apesar de os detalhes da cerimônia ainda não estarem finalizados, o porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs disse que a data ou o horário não seriam determinados pela agenda de Obama.

Investigadores estão esperando que o major saia do coma para interrogá-lo, mas já estiveram em sua casa e examinaram seu computador, procurando pistas do que o teria levado a cometer o ataque.

Acredita-se que ele vinha se sentindo cada vez mais infeliz no exército e que seu trabalho no posto anterior - o centro médico do exército Walter Reed, em Washington DC - tenha tido alguma influência.

Seu primo disse à mídia americana que Nalik Hasan via a possibilidade iminente de ser enviado para o Iraque como seu "pior pesadelo".

Ele também disse que o major vinha sofrendo assédio por conta de sua origem palestina.

O síndico do prédio em que Nalik Hasan vivia disse à agência de notícias Associated Press que o carro do major havia sido arranhado recentemente por um funcionário do exército que havia retornado do Iraque e se opunha à religião de Hasan.

A AP também citou um ex-colega de um curso universitário, que teria dito que o major se opunha fortemente à presença do exército americano em conflitos em países muçulmanos.

Os parentes do militar, no entanto, deploraram o ataque.

O tiroteio no centro militar de Fort Hood começou por volta de 13h30 (hora local) na quinta-feira, em um centro médico e de pessoal da base - a maior do exército americano, onde ficam cerca de 40 mil soldados.

O comandante da base, o general Robert Cone, disse à BBC que, segundo testemunhas, Nalik Hasan teria gritado a frase "Allahu Akbar!" (Deus é Grande!) antes de começar a atirar.

O vice-comandante da base, coronel John Rossi, disse depois que mais de 100 balas foram disparadas durante o ataque.

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