Obama elogia formação de governo 'representativo' no Iraque

Acordo de divisão de poder foi alcançado na quinta-feira, mas sunitas já se mostram insatisfeitos com decisão do Parlamento

iG São Paulo |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta sexta-feira que o acordo alcançado pelos grupos políticos iraquianos é uma "etapa importante" na história do país. "Tudo leva a crer que o novo governo será representativo, inclusivo e um reflexo da vontade do povo americano, que votou nas últimas eleições", afirmou em Seul, onde participa da reunião do G20.

Segundo Obama, há meses os Estados Unidos trabalham para ajudar os iraquianos a "promover um governo amplo". "É outro passo importante na história moderna do Iraque", acrescentou.

© AP
Obama concede entrevista coletiva em Seul, na Coreia do Sul

Na quinta-feira, após oito meses de impasse político, os principais grupos políticos do Iraque fecharam um acordo para a formação do governo. Os principais cargos foram divididos entre diferentes etnias e religiões, já que o presidente da República será curdo, o primeiro-ministro xiita e o presidente do Parlamento sunita.

O curdo Jalal Talabani continuará como presidente da República, o xiita Nuri al-Maliki iniciará um segundo mandato como primeiro-ministro e a presidência do Parlamento ficará com o deputado sunita da lista Iraqiya Osama al-Nujaifi, segundo o porta-voz do governo, Ali al Dabagh.

Apesar do avanço, na própria quinta-feira as negociações mostraram sinais de fragilidade quando o bloco sunita deixou a sessão do Parlamento acusando os legisladores de voltar atrás em partes do acordo. Segundo os sunitas, o acordo previa a reintegração de políticos do bloco banidos de seus cargos no início do ano por supostos laços com o partido Baath, ao qual pertencia Saddam Hussein. No entanto, os legisladores se recusaram a aceitar essa exigência. Barack Obama não comentou o ocorrido em sua entrevista coletiva em Seul.

Impasse

O Iraque vive um impasse político desde as eleições legislativas de 7 de março. O bloco liderado pelo ex-primeiro-ministro Iyad Allawi saiu das urnas com uma leve vantagem, mas nem ele, nem o atual premiê, Nouri al-Maliki, conseguiram formar um governo de coalizão.

No final de outubro, a Suprema Corte do país determinou que o Parlamento encerrasse um recesso iniciado em junho e voltasse ao trabalho para definir o novo governo.

A decisão foi considerada um reflexo da crescente insatisfação da população iraquiana com a incapacidade dos parlamentares em chegar a um acordo.

O novo governo é o terceiro desde a instauração de eleições multipartidárias após a queda de Saddam Hussein, no ano de 2003.

Com AFP, BBC e Reuters

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