Obama elogia força dos norte-irlandeses frente aos recentes ataques

Macarena Vidal. Washington, 17 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou hoje o povo da Irlanda do Norte por responder de modo heroico aos recentes atentados na província, em uma série de reuniões com líderes políticos irlandeses.

EFE |

O líder americano se reuniu hoje com o "taoiseach" ou primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, com quem participou de uma cerimônia na Casa Branca para comemorar o dia de São Patrício, padroeiro da Irlanda.

Seguindo a tradição, o líder irlandês entregou a Obama uma tigela com trevos, um símbolo dos laços entre os dois países.

Além disso, o presidente americano conversou com os líderes do Executivo autônomo no Ulster, Peter Robinson e Martin McGuinness.

Nessas conversas, os atentados cometidos na semana passada na província, que mataram dois soldados e um policial e foram os mais sérios dos últimos anos contra o processo de paz norte-irlandês, ocuparam um papel de destaque.

Segundo Obama, "a verdadeira questão era" saber "como os norte-irlandeses responderiam" quando fossem colocados "à toda prova".

Para ele, agora já se sabe a resposta: "Responderam de forma heroica. Eles e os líderes dos dois lados condenaram a violência e evitaram os velhos impulsos partidários".

"(Os norte-irlandeses) Demonstraram que julgam o progresso pelo que uma pessoa constrói, e não pelo que uma pessoa destrói. E sabem que o futuro é importante demais para cedê-lo aos que vivem pensando no passado", acrescentou.

Os Estados Unidos "apoiarão sempre os que trabalharem em favor da paz", afirmou o presidente, que expressou sua confiança em que, após ver a colaboração entre ex-inimigos esta semana, "a paz prevalecerá" na província.

Por sua parte, o primeiro-ministro irlandês lembrou que a reconciliação requer paciência, e destacou que, após os atentados, "o povo da Irlanda, do norte e do sul, respondeu a esse desafio, falou com uma só voz, rejeitou a violência e a divisão".

Duas facções dissidentes do Exército Republicano Irlandês (IRA, inativo), o IRA de Continuidade e o IRA Autêntico, assumiram a autoria dos atentados, que fizeram o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, prometer que não haveria "um retorno aos velhos tempos" de violência.

Os partidos integrados no Executivo norte-irlandês, antigos inimigos, condenaram taxativamente os ataques.

Além dos eventos no Ulster, as conversas de hoje giraram em torno da crise econômica mundial, que foi sentida com força na Irlanda, após anos de forte crescimento.

Embora a visita dos políticos irlandeses à Casa Branca no dia de São Patrício seja uma tradição para ressaltar os laços entre EUA e a Irlanda, este ano a Presidência americana redobrou as comemorações do dia.

Desde a manhã de hoje, pela primeira vez em sua história, a água das fontes da residência presidencial foi tingida de verde, a cor nacional da Irlanda, para celebrar a data.

Obama, que hoje usou uma gravata esmeralda, foi junto com os líderes irlandeses ao Capitólio para participar de um almoço oferecido pela presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, por ocasião do dia de São Patrício.

Esta tarde, a agenda do presidente incluía uma recepção na Casa Branca a membros da comunidade irlandesa no país. Nos EUA, cerca de 40 milhões de pessoas possuem ascendência irlandesa.

Entre eles está o próprio presidente americano, cujo tataravô materno -como lembrou hoje em várias ocasiões- procedia do condado de Offaly, nas proximidades de Dublin.

Hoje, em um breve discurso durante o almoço no Congresso, Obama lembrou como, durante a campanha eleitoral, brincou que seu nome era irlandês e se escrevia "O'bama".

"Também tentei convencer as pessoas de que Barack é, na verdade, um nome tradicional celta", brincou o líder. EFE mv/db

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