Obama e Sarkozy impulsionam reforma financeira e sanções ao Irã

Washington, 30 mar (EFE).- Numa prova de união em torno dos principais desafios globais, os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da França, Nicolas Sarkozy, defenderam hoje a urgência de uma reforma no sistema financeiro e a imposição de novas sanções ao Irã.

EFE |

Após reunião hoje na Casa Branca, os presidentes passaram uma imagem de unidade na entrevista coletiva. Nela, se esforçaram, com elogios e até brincadeiras, para demonstrar que são amigos e que os atritos e as diferenças noticiadas pela imprensa americana e francesa se reduzem a desacordos normais entre duas potências.

O presidente americano deu as boas-vindas na Casa Branca a quem chamou de "querido amigo" e ressaltou os longos laços entre os dois países. Para ele, a França é o aliado mais antigo e mais próximo dos EUA.

Obama explicou que acordou com Sarkozy seguir trabalhando "energicamente" para manter a recuperação da economia global e criar empregos, além de, como ficou estabelecido na cúpula do G20 (países mais ricos e principais emergentes), "substituir o velho ciclo de bolhas que explodem com crescimentos equilibrados e sustentáveis".

Para isso, afirmou que pediu ao Senado que aprove essa lei de regulação do sistema financeiro quando a Casa retomar sua atividade, daqui a duas semanas.

Sarkozy absorveu rapidamente a ideia e disse que para o mundo é uma "excelente notícia saber que os EUA estão adotando normas para que não se volte a repetir" a crise.

Os dois líderes mostraram também uma frente unida contra o Irã e ressaltaram a urgência e a importância de que o Conselho de Segurança da ONU aprove o mais rapidamente possível uma nova séria de sanções, mais fortes e mais duras.

Obama assegurou que a comunidade internacional nunca esteve tão unida para prevenir que o Irã prossiga com o programa nuclear, e expressou seu desejo de que as sanções estejam prontas "em semanas".

"Minha esperança é de que vamos ter isso pronto na primavera (hemisfério norte). Não estou interessado em esperar meses para que haja um regime de sanções, estou interessado em ver este regime em semanas", disse.

O presidente francês, por sua vez, se mostrou satisfeito com a determinação expressada por Obama, e disse que o Irã não pode continuar "sua corrida desenfreada" para adquirir armas nucleares.

No entanto, reconheceu que ainda não há unanimidade na comunidade internacional, e disse ser uma tarefa difícil. "Há muitos países que pensam que, a longo prazo, seus interesses comerciais são mais importantes que os geopolíticos", explicou.

A China, em especial, se negou a avançar em novas sanções, e a Rússia se mostrou inicialmente reticente.

Mas Obama insistiu que uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio e um conflito na região como consequência das ações de Teerã "poderia ter um grande efeito desestabilizador na economia mundial" e enfatizou que "as consequências a longo prazo de um Irã nuclear são inaceitáveis".

Já Sarkozy assegurou que "é hora de tomar decisões", e prometeu que tanto ele como o premiê do Reino Unido, Gordon Brown, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, farão "todos os esforços necessários para garantir que a Europa em conjunto apoie o regime de sanções".

Por outro lado, ambos os líderes praticamente evitaram a guerra no Afeganistão.

Segundo analistas políticos, Washington não gostou de Sarkozy não querer reforçar seu dispositivo militar nesse países, ainda que Paris tenha explicado que os 3.750 militares franceses permanecerão ao lado dos americanos.

O líder francês também se esforçou para deixar claro que entre ambos existe uma boa sintonia e que há um "diálogo constante" entre as duas nações.

Sarkozy e Obama fecham o dia com um jantar privado na Casa Branca com a presença das primeiras-damas, Carla Bruni e Michelle Obama.

EFE cai/rr

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