Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da França, Nicolas Sarkozy, insistiram neste sábado em sua convergência de pontos de vista sobre as questões nucleares iraniana e norte-coreana e sobbre a reativação do processo de paz no Oriente Médio, mas também reafirmaram sua divergência sobre a integração da Turquia à União Europeia.

Um Irã dotado da arma atômica seria "extremamente perigoso", declarou Obama durante uma entrevista coletiva conjunta com seu colega francês em Caen, no noroeste da França, pouco antes de participar das cerimônias do 65º aniversário do desembarque aliado na Normandia.

"Não queremos a disseminação da arma nuclear", mas "a paz e o diálogo" com o Irã, afirmou Sarkozy. "A França e os Estados Unidos concordam totalmente" na necessidade de impedir que Teerã desenvolva uma bomba atômica, insistiu.

Os ocidentais suspeitam o Irã de estar desenvolvendo um programa nuclear militar. Já os iranianos garantem que suas atividades nucleares têm fins exclusivamente civis. "Se têm objetivos pacíficos, que aceitem os controles", clamou o presidente francês.

Obama, por sua vez, denunciou as ações "extraordinarmente provocadoras" da Coreia do Norte no âmbito nuclear.

Sobre o processo de paz no Oriente Médio, o presidente americano ressaltou a necessidade de "superar o impasse atual", lembrando que os destinos dos israelenses e dos palestinos são "interligados".

Obama ainda reafirmou que defende a integração da Turquia na UE, uma ideia rejeitada por Sarkozy.

"A adesão da Turquia à UE seria importante", declarou o primeiro, enquanto o segundo destacava que França e Estados Unidos concordam na necessidade de Ancara desempenhar um "papel de passarela entre Oriente e Ocidente" mas divergem sobre as "modalidades".

Depois de um almoço de trabalho, os dois dirigentes deviam participar das cerimônias do 65º aniversário do desembarque aliado indo para o cemitério americano de Colleville-sur-Mer, onde foram enterrados 9.387 militares americanos mortos em 1944 durante a batalha da Normandia.

Com suas esposas respectivas, Michelle e Carla, Obama e Sarkozy deviam se encontrar no cemitério com os primeiros-ministros do Canadá, Stephen Harper, da Grã-Bretanha, Gordon Brown, e da França, François Fillon, assim como com o Príncipe Charles, que representa a rainha da Inglaterra.

Discursos para 9.000 convidados, entre os quais 200 veteranos de guerra americanos, estavam previstos para este sábado.

O presidente francês dá uma importância particular à presença na Normandia de Barack Obama, símbolo da amizade franco-americana, num momento em que surgem cada vez mais dúvidas sobre a qualidade de sua relação particular com seu colega americano.

"Estamos aqui para trabalhar, para obter resultados, não para fazer fotos. Temos mais o que fazer", declarou, um tanto irritado, o dirigente francês. Obama, por sua vez, justificou a curta duração de sua viagem à França por questões de agenda.

Barack Obama deve passar a noite deste sábado em família com sua esposa Michelle e suas filhas Malia, 10 anos, e Sasha, que fará oito anos neste domingo. O presidente americano volta para Washington amanhã, enquanto sua família ficará mais um dia na França.

Na noite de sexta-feira, Michelle, Malia e Sasha foram para a Torre Eiffel. A família Obama deve visitar na noite deste sábado a catedral de Notre-Dame, antes de jantar em um restaurante. A manhã de domingo deve ser dedicada à visita do centro George Pompidou, que abriga um museu de arte moderna.

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