Obama e provável futuro líder da China se reúnem na Casa Branca

Após encontro, vice Xi Jinping, apontado como sucessor de Hu Jintao em 2013, reconheceu que há espaço para China melhorar em direitos humanos

iG São Paulo |

O vice-presidente Xi Jinping, considerado o futuro líder da China, defendeu nesta terça-feira a situação amplamente criticada dos direitos humanos em seu país, mas reconheceu que há espaço para melhorar. Durante um almoço no Departamento de Estado, Xi disse que a China teve "tremendas" conquistas em direitos humanos nos últimos 30 anos, mas acrescentou: "Claro que há espaço para melhora."

AP
Presidente dos EUA, Barack Obama (D), reúne-se com vice-president chinês, Xi Jinping, no Salão Oval da Casa Branca, Washington
A declaração foi feita por Xi durante um almoço após ter se encontrado na Casa Branca com o presidente dos EUA, Barack Obama, o vice-presidente americano, Joe Biden, e a secretária de Estado Hillary Clinton. Também esteve presente na Sala Roosevelt da ala oeste da Casa Branca o representante para o Comércio dos EUA, Ron Kirk.

Segundo o vice-presidente chinês, a China está pronta para manter uma diálogo construtivo sobre direitos humanos com os EUA e outros países. Já Biden afirmou que os EUA foram claros em áreas nas quais acreditam que as condições na China pioraram e em que há sofrimento de indivíduos importantes.

Obama, por sua vez, declarou que seu país continuará abordando a questão dos direitos humanos na China. "Sobre questões cruciais, como os direitos humanos, continuaremos insistindo naquilo que acreditamos que é importante, a materialização das aspirações e os direitos de todos", afirmou.

O presidente americano também aproveitou o encontro com Xi para abordar questões econômicas. Segundo Obama, a China tem de respeitar as "regras vigentes" da economia mundial e afirmou que Washington pretende continuar sendo uma potência-chave na região Ásia-Pacífico , apesar da ascensão da China.

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O valor do yuan, que Washington considera que Pequim mantém artificialmente desvalorizado para ganhar competitividade para as suas exportações, representa um dos principais temas de controvérsia entre as duas maiores potências econômicas. "Esperamos que a China siga assumindo um papel crescente nos assuntos mundiais, e acreditamos que é extremamente importante que China e EUA desenvolvam uma sólida relação de trabalho", acrescentou.

Obama também saudou as acordos de Pequim e Washington em assuntos como o Irã e a península coreana. No entanto, o mandatário não mencionou de forma direta a Síria, tema que causou discórdia entre ambas as potências depois que a China vetou, juntamente com a Rússia, uma resolução da ONU condenando a repressão do regime de Bashar al-Assad contra dissidentes.

A não ser que algo fora do previsto ocorra, Xi deverá suceder Hu Jintao na liderança do Partido Comunista Chinês em outubro e depois, em março de 2013, assumir a chefia de Estado. "Não ficaremos sempre lado a lado" em cada assunto, disse Biden sobre o encontro. "Mas é um sinal de força e de maturidade em nossa relação que possamos falar de nossas diferenças cordialmente."

Pouco antes do início das reuniões na Casa Branca, o vice-presidente chinês declarou que os EUA deveriam adotar "medidas concretas para promover a confiança mútua". "Esperamos que do lado americano a China possa ser vista de maneira objetiva e racional e medidas concretas sejam adotadas para promover a confiança mútua", declarou, segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua (Nova China). "Devemos buscar benefícios mútuos e acordos de uma forma positiva e construtiva", afirmou.

Xi também manifestou sua esperança de que este ano eleitoral nos EUA não tenha um "impacto desafortunado" sobre os vínculos entre as duas maiores economias do planeta.

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Xi chegou na segunda-feira aos EUA para uma visita importante de uma semana e se reuniu com, entre outros, os ex-secretários de Estado Henry Kissinger e Madeleine Albright. O vice-presidente chinês também visitará Iowa (centro), Estado onde se reencontrará com velhos amigos que conheceu durante uma viagem de jovens em 1985, e Los Angeles.

Pouco antes de sua chegada aos EUA, Xi advertiu Washington sobre um excessivo aumento de seu aparato militar na região Ásia-Pacífico. No final de 2011, Obama anunciou que seu país fortalecerá sua presença militar na Austrália , uma decisão na qual Pequim havia visto um sinal de uma "mentalidade de Guerra Fria".

*Com AP e AFP

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