Como brasileiro, para efeito demográfico, sou hispânico/latino. Pelas leis da BBC, não posso revelar o nome do meu candidato, mas não vou votar pela cor nem pelo partido.

Sou registrado como independente.

Nesta eleição, os marqueteiros dizem que a família latina pode definir o presidente americano e, até a saída da senadora, ela era a nossa candidata com mais de 60% do voto latino nas primárias.

Hillary Clinton investiu mais tempo e dinheiro entre nós, mas analistas como Sergio Bendixen, que fez pesquisas para a senadora, disse que em geral nós não apoiamos candidatos negros. E vice-versa. Os negros também não apóiam os marrons.

Um exemplo clássico foi na campanha para prefeito de Nova York em 2005, quando Michael Bloomberg, um judeu, disputava sua reeleição contra Fernando Ferrer e levou a grande maioria do voto negro.

Há exceções que confirmam a regra. Quando disputava a eleição primária para o Senado em 2004, Barack Obama recebeu 70% dos votos latinos e um dos seus oponentes era um de nós.

Se usarmos as eleições anteriores como referência, a simpatia dos latinos pelos republicanos era crescente. Em 96, Bob Dole recebeu 20% dos votos, em 2000, Bush recebeu 35% e subiu para 40% em 2004.

Os republicanos contavam com uma adesão ainda maior nesta eleição e se o senador McCain conseguir estes números - mais de 40% em novembro - ele provavelmente estará eleito, mas não há sinais de que os latinos de Hillary estejam correndo para o barco republicano.

A pesquisa mais recente mostra 62% dos latinos com Obama e 28% com McCain. Algumas pesquisas mostram um cenário tão ruim que os republicanos correm o risco de perder até no Arizona.

O Estado do senador deveria ser uma barbada para os republicanos, mas a grande população latina de lá, como no resto do país, esta decepcionada com a posição do partido de McCain na questão da imigração.

O senador e o presidente eram a favor de uma política muito mais tolerante, mas a proposta de Bush foi para o lixo no Congresso, o senador não teve coragem de manter suas posições originais diante da ala conservadora do partido e aquele muro infame na fronteira do México cresce dia a dia.

O professor Allan J Lichtman, da American University, especialista em questões raciais na área legal e política, diz que, em eleições primárias, brancos e latinos votam juntos e negros votam com brancos, mas o comportamento muda na eleição presidencial.

Numa entrevista por telefone, o professor vê o voto latino - com exceção dos cubanos na Flórida - com os democratas, acha que em novembro pode chegar a 65% dos eleitores. Ele oferece mais um motivo além do tradicional apoio dos latinos aos democratas e da decepção com a política de imigração dos republicanos: o apoio de Hillary Clinton pode ser decisivo.

Assessores de Barack Obama esta semana revelaram mais detalhes de uma tática arriscada para novembro que abre mão de dois Estados que deram as vitórias de George Bush em 2000 e 2004: Flórida e Ohio.

O senador acha que é possível compensar os votos eleitores dos dois Estados - 47 no total - com vitórias na Virgínia, Geórgia, Colorado, Nevada, Novo México, Montana, Alasca e Dakota do Norte. São quase todos estados republicanos, três deles cheios de latinos.

Diante desta ousadia faço outra, menor. Todos os grupos demográficos poderão ser decisivos. Pelas pesquisas de hoje, Barack Obama leva uma pequena vantagem dentro da margem de erro, mas há um grupo rachado no meio: os independentes, como eu - 45% estão com McCain, 45% com Obama.

Quem nos conquistar, vai levar.

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