Obama e Netanyahu analisam divergências entre Israel e EUA

Macarena Vidal. Washington, 23 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conversaram hoje, em reunião a portas fechadas, sobre os recentes desencontros nas relações entre os dois países.

EFE |

O encontro, realizado no refeitório do Salão Oval sem a presença da imprensa, começou poucos minutos depois das 17h30 (18h30, Brasília), quando Netanyahu, com postura séria, chegou à Casa Branca sem saudar os fotógrafos que esperavam por ele.

A reunião terminou uma hora e meia mais tarde, sem que até o momento se tenha detalhes da conversa.

A reunião chega num momento de tensão na relação entre os dois tradicionais aliados, derivada do fato de Israel ter anunciado há duas semanas a construção de 1.600 novas casas em Jerusalém Oriental, em plena visita do vice-presidente americano, Joe Biden.

Enquanto transcorria a reunião, a imprensa israelense informava hoje da aprovação de outras 20 novas casas no setor oeste de Jerusalém, em um aparente novo desafio ao Governo americano.

Até o momento, Obama tinha se mantido acima da disputa, enfrentada de modo pouco diplomático pela secretária de Estado, Hillary Clinton, e Netanyahu. No entanto, o fato de a reunião ter ocorrido a portas fechadas indica que as tensões continuam.

Washington pediu ao Governo israelense que dê passos firmes para conseguir o reatamento das negociações de paz com os palestinos - adiadas após o anúncio das novas construções - e que suspenda a expansão dos assentamentos.

Na noite passada, Netanyahu afirmou em discurso perante a Aipac, principal grupo de lobby judaico em Washington, que os judeus constroem Jerusalém hoje. "Jerusalém não é um assentamento, é nossa capital", disse.

Mais cedo, perante o mesmo público, Hillary tinha denunciado que a construção de novas casas abala a credibilidade dos EUA como mediador.

Ambos se reuniram na segunda-feira, a portas fechadas, no hotel onde Netanyahu está instalado, após uma mudança de última hora sobre o programa inicial, que previa o encontro no Departamento de Estado.

O primeiro-ministro israelense também se reuniu com o vice-presidente americano - em uma conversa descrita pela Casa Branca como "franca e produtiva" - e a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi.

Em resposta às declarações de Netanyahu, o Departamento de Estado reiterou hoje que o estatuto final de Jerusalém só poderá ser determinado com negociações diretas.

Segundo o porta-voz da diplomacia americana, Phillip Crowley, o futuro de Jerusalém só poderá ser resolvido através de negociações diretas. "Esperamos que comecem o mais rapidamente possível", disse Além dos empecilhos na relação bilateral e dos passos a serem dados para relançar as negociações de paz com os palestinos, ambos os dirigentes tinham previsto conversar sobre o programa nuclear iraniano, que Israel considera uma ameaça a seu território e a toda a região.

No discurso na Aipac, Netanyahu falou também dessa ameaça.

Segundo ele, Israel espera que a comunidade internacional atue "de modo rápido e decisivo" contra a ameaça nuclear iraniana, mas também tem "o direito de se defender".

Os EUA, com apoio de Reino Unido e França, procuram a imposição de sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU, embora até o momento os outros dois membros permanentes, Rússia e China, tenham mantido posição ambígua a respeito. EFE mv/rr

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