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Obama e McCain trocam farpas sobre acordo com inimigos

O pré-candidato democrata Barack Obama à presidência dos Estados Unidos e o candidato republicano John McCain trocaram farpas a respeito de suas divergências sobre possíveis negociações com inimigos dos Estados Unidos. As trocas de acusações entre os dois senadores dominaram os noticiários televisivos americanos desta sexta-feira e constituíram aquele que parece ser o primeiro confronto direto entre os dois prováveis candidatos presidenciais.

BBC Brasil |

A polêmica teve início na quinta-feira, quando o presidente George W. Bush, durante um discurso no parlamento israelense, comparou aqueles que querem negociar com ''terroristas e radicais'' com os políticos americanos que acreditavam que se acordos tivessem sido firmados com os nazistas antes da Segunda Guerra Mundial o conflito poderia ter sido evitado.

Bush não especificou a quem o recado era dirigido, mas Obama e seus correligionários interpretaram o comentário como uma indireta, uma vez que ele já afirmou que, se eleito presidente, estaria disposto a se encontrar com o líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

'Desonestos e divisivos'
John McCain endossou as afirmações de Bush, o que levou Obama a dizer, durante um discurso realizado nesta sexta-feira, que os comentários do presidente americano e do candidato republicano eram ''desonestos e divisivos''.

O senador acrescentou que McCain e Bush compartilham da ''crença ingênua e irresponsável que um discurso duro por parte de Washington irá, de alguma forma, fazer com que o Irã desista de seu programa nuclear e de seu apoio ao terrorismo''.

Obama disse também que o candidato republicano apóia ''políticas fracassadas'' que ajudaram a fortalecer inimigos americanos como o Irã e o movimento Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Em resposta às acusações de Obama, McCain indagou: ''Por que Barack Obama quer negociar com um Estado que patrocina o terrorismo? Você legitima pessoas que apóiam e que estão envolvidas em atos de terror quando negocia com eles face a face. O senador Obama quer fazer isso. Eu jamais o farei''.

O candidato republicano foi além e afirmou que ''seria maravilhoso se vivêssemos em um mundo onde não temos inimigos, mas esse não é o mundo em que vivemos''.

'Dúvidas' sobre Obama
''E até que o senador Obama compreenda essa realidade, o povo americano tem todas as razões para duvidar que ele conta com a força, o poder de avaliação e a determinação para nos manter seguros.''
Nos últimos dias, McCain também vem acusando Obama de contar com o apoio do movimento Hamas - afirmação propiciada pelo fato que um dos integrantes do movimento, o assessor político, Ahmed Yousef, disse que o grupo concordava com visões de Obama em temas de política externa.

Mas o senador democrata reiteradamente tem dito que não negociaria com o Hamas e classifica o movimento como uma organização terrorista.

'Hipocrisia' de McCain
Nesta sexta, James Rubin, ex-secretário de Estado-adjunto durante a gestão de Bill Clinton, acusou McCain de hipocrisia em relação ao Hamas, em um artigo no jornal Washington Post.

Há dois anos, Rubin entrevistou McCain para uma emissora de TV e, na ocasião, o senador fez comentários de tom muito distinto do de sua atual recusa terminante em negociar com o movimento.

''Eles (o grupo Hamas) são o governo. Mais cedo ou mais tarde teremos de lidar com eles. É uma nova realidade no Oriente Médio'', disse McCain, na época.

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