Obama e McCain se reúnem com Bush para discutir crise

Os candidatos presidenciais americanos John McCain e Barack Obama se encontrarão nesta quinta-feira com o presidente George W. Bush na Casa Branca para uma reunião de emergência sobre a crise econômica do país.

BBC Brasil |

Bush alertou que a economia do país está ameaçada, e que se nada for feito a situação poderá se agravar ainda mais.

O presidente americano tem se empenhado em tentar convencer o Congresso a aprovar o mais rápido possível um pacote de US$ 700 bilhões para resgatar empresas financeiras com dificuldades.

McCain suspendeu sua campanha eleitoral por causa da crise, mas Obama disse que os eleitores deveriam poder ouvir o que os candidatos têm a dizer sobre o assunto.

Ambos participarão de um encontro entre representantes do governo e do Congresso na manhã desta quinta-feira que tentará mediar um acordo para a aprovação de um pacote aceito por ambas as partes (governo e Congresso).

Em um comunicado conjunto, Obama e McCain descreveram o plano de Bush como "defeituoso", mas disseram que não devem ser poupados esforços para proteger a economia.

Os dois candidatos discordaram entretanto, quanto ao adiamento do primeiro debate televisivo da campanha, marcado para esta sexta-feira.

McCain anunciou que suspendeu sua campanha por causa da crise e propôs a Obama que o debate fosse adiado.

Falando sobre a proposta após as declarações de McCain, Obama disse que prefere realizar o debate - apesar de não ter deixado claro se pretende ir ao evento na cidade de Oxford, no Estado do Mississippi, mesmo que o republicano não vá.

"O que estou planejando fazer agora é debater na sexta-feira", disse o democrata.

"Eu acredito que este é o momento em que o povo americano deve ouvir a pessoa que em aproximadamente 40 dias vai ser responsável por lidar com esta bagunça", afirmou.

A Comissão de Debates Presidenciais dos EUA divulgou um comunicado na noite desta quarta-feira onde confirmou que o primeiro debate entre os candidatos acontecerá na sexta-feira na Universidade do Mississippi, como planejado.

Pronunciamento

Bush, fez na noite de quarta-feira o primeiro pronunciamento à nação desde o agravamento da atual crise econômica, há pouco mais de uma semana. No discurso, ele pediu que os americanos apóiem o pacote de US$ 700 bilhões anunciado na última sexta-feira pelo governo.


Em pronunciamento, Bush pede apoio aos americanos / Reuters

Bush reiterou que o pacote, que espera aprovação no Congresso, não servirá para "salvar companhias individuais, mas para proteger toda a economia dos EUA".

O presidente dos EUA afirmou que normalmente não concordaria com uma intervenção do Estado na economia, mas que desta vez o país " não está em circunstâncias normais, o mercado não está funcionando adequadamente".

"Não temos outra opção a não ser intervir (no mercado)", afirmou.

Se o pacote do governo não for aprovado, disse o presidente americano no discurso, "mais bancos podem quebrar, bolsas irão cair ainda mais, faltará crédito para consumidores e muitos americanos poderão perder seus empregos".

"O país pode cair em uma grande recessão. O custo para os americanos será muito maior", disse o presidente durante o discurso na Casa Branca.

O presidente norte-americano também afirmou ter convidado os dois candidatos à sua sucessão, o democrata Barack Obama e o republicano Joh McCain, para um encontro com congressistas dos dois partidos para discutir a crise, em Washington, nesta quinta-feira.

Críticas

O plano de salvamento tem sido alvo de críticas e dúvidas. Uma das questões é se será criado ou não algum tipo de mecanismo para avaliar e regular a implementação do plano.

O temor é de que o Tesouro americano concentre muito poder para gastar os US$ 700 bilhões.

Outro ponto em discussão é sobre como usar os recursos. O plano do governo americano prevê a compra de títulos podres dos bancos para, segundo Paulson, "desintoxicar" seus balanços, evitar que quebrem e permitir que voltem a emprestar para o mercado em geral.

De acordo com o Fed, a intenção é que esses títulos de má qualidade sejam comprados pelo seu "valor de maturação" e não pelo seu valor de mercado.

Isso significa, segundo especialistas, que os bancos que venderem seus títulos ao Tesouro vão ter um grande lucro com os papéis e não terão que dar nada em troca pela ajuda.

No Congresso, também há a preocupação de que os profissionais que encabeçaram as perdas não sejam beneficiados pelo resgate, e congressistas querem a limitação de salários de diretores das empresas a serem resgatadas.

Parte dos congressistas também defende alguma forma de apoio direto aos americanos que podem perder suas casas por causa da crise hipotecária.

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