Teresa Bouza. Oxford (EUA.), 27 set (EFE).

- Os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, retomaram hoje suas agendas depois do debate no Mississipi, que segundo a imprensa acabou com os dois empatados, embora as primeiras pesquisas apontem Obama como vencedor.

O senador democrata participa hoje de vários comícios na Carolina do Norte e Virgínia, e se reunirá esta noite em Washington com líderes afro-americanos do Congresso.

McCain, por sua vez, retornou na noite passada à capital onde, segundo sua campanha, "continua trabalhando hoje em uma solução para a crise econômica".

Legisladores democratas e republicanos seguem enredados em suas conversas sobre o multimilionário plano de resgate do setor financeiro em crise.

Enquanto isso, as campanhas dos dois aspirantes à Casa Branca insistem nas mensagens centrais da noite passada.

Os republicanos lembram que McCain é a voz da experiência e está preparado para assumir as rédeas do país em momentos difíceis como os atuais.

"John McCain é" o candidato mais (...) "preparado para governar nosso país como comandante-em-chefe", disse Mike Duncan, presidente do Partido Republicano em comunicado, no qual se refere à grande experiência do senador.

"Tenho um histórico muito longo e o povo americano me conhece muito bem", disse McCain na noite passada.

Obama, que se apresentou ontem como o paladino da classe média e como quem vai promover a necessária mudança no país, insistiu hoje nessas idéias.

Sua campanha vem reiterando que McCain não mencionou a classe média no debate.

Durante sua ida à Carolina do Norte, o senador mencionou que ele e McCain falaram ontem de economia durante 40 minutos "e nem uma só vez o senador (McCain) se referiu às dificuldades das famílias da classe média".

Os republicanos replicaram argumentando que McCain teve a classe média em mente ao denunciar que Obama votou a favor do aumento dos impostos, que poderia resultar em cortes fiscais para 95% dos contribuintes.

O primeiro de três debates da campanha para as eleições de 4 de novembro gerou outro igualmente acalorado, o de quem teria sido vencedor na discussão de ontem.

Em geral, a imprensa americana resiste a proclamar um dos dois candidatos como claro ganhador.

"Poucos momentos destacados e ausência de erros", destaca o "Los Angeles Times" em uma análise na capa da publicação.

O jornal "The New York Times" se limita a ressaltar o "choque geracional" que o encontro no Mississipi evidenciou.

"Foi uma colisão geracional", diz o jornal, que se refere a uma "tensão freudiana" na qual o velho patriarca da família (McCain) se mostra frustrado e inclusive mal-humorado quando o que aspira a se tornar sucessor do negócio familiar (Obama) pensa que pode dirigi-lo melhor.

Já o "Washington Post" resume o debate em um artigo como uma batalha entre um tipo demasiadamente amável (Obama) e outro excessivamente mau (McCain).

O jornal lembra que expressões como "temo que Obama não entenda a diferença entre uma tática e uma estratégia" caracterizaram a atuação de McCain. O diário afirma que os seguidores do democrata devem estar desiludidos com o fato de seu candidato ter se mostrado de acordo em tantas ocasiões com o rival.

Obama disse várias vezes que seu adversário "tinha razão" ou "toda a razão" durante o debate, algo que os republicanos aproveitaram ao divulgar um novo anúncio eleitoral no qual mostram Obama concordando com McCain.

As enquetes instantâneas realizadas após o debate pelas redes de TV "CNN" e "CBS" apontaram Obama como vencedor, embora sejam pesquisas preliminares das quais, segundo os analistas, não convém extrair ainda conclusões definitivas. EFE tb/ab/rr

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.