Teresa Bouza. Washington, 3 nov (EFE).- Os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, protagonizam hoje uma maratona de comícios nos estados considerados indecisos que amanhã podem colocar um dos dois na Casa Branca.

McCain acordou hoje na Flórida e embarcará em uma viagem de 20 horas de campanha através de sete estados do país que terminará esta noite no Arizona, após passar por Pensilvânia, Indiana, Tennessee, Novo México e Nevada.

"Com esse entusiasmo, essa intensidade, ganharemos a Flórida", disse hoje o senador pelo Arizona diante de centenas de seguidores em Tampa.

Obama começou o dia também na Flórida, estado que deu a vitória ao atual presidente, George W. Bush, em 2000 e onde os dois candidatos estão agora empatados nas pesquisas.

"Após oito anos das políticas fracassadas de George Bush e 21 meses de uma campanha que nos levou da costa rochosa do Maine à ensolarada Califórnia, estamos a apenas um dia da mudança na América", afirmou hoje o democrata em Jacksonville, na Flórida.

O senador por Illinois, que pode se tornar amanhã o primeiro presidente negro dos EUA, visita também hoje à Carolina do Norte e fechará sua campanha à meia-noite (Brasília) de hoje com um comício na Virgínia.

A batalha final acontece em estados em que Bush ganhou em 2004 como Virgínia, Flórida, Carolina do Norte e Novo México e que estão agora em disputa dada a impopularidade do atual Governo e a profunda crise econômica no país.

As últimas pesquisas confirmam o que, a essa altura, já é sabido.

Os democratas partem como claros favoritos para as eleições de amanhã, quando os americanos elegerão seu próximo presidente, renovarão a Câmara dos Representantes, um terço do Senado e escolherão 11 novos governadores.

Assim, uma pesquisa conjunta do diário "The Wall Street Journal" e da rede de televisão "NBC" publicada hoje dá a Obama oito pontos de vantagem, 51% contra 43%.

A diferença cai, se comparada aos 10% registrados na semana passada, mas mesmo assim Neil Newhouse, pesquisador republicano que dirige a pesquisa junto ao democrata Peter Hart acredita que para McCain será difícil a tarefa.

Apesar do cenário adverso traçado pelas enquetes, Rick Davis, chefe da campanha de McCain, reiterou no final da noite de ontem que ainda existe um caminho para a vitória.

"Se podemos vencer em Nevada, Colorado e Novo México, de repente temos um novo caminho para a vitória", disse Davis em referência a três estados do oeste onde a batalha está muito apertada.

O estrategista acredita que um triunfo nessa espécie de triângulo do oeste, onde da mesma forma que na maioria dos estados-chave as diferenças caíram, poderia permitir a McCain assegurar o número mágico de 270 votos no colégio eleitoral necessários para levar um candidato à Casa Branca.

Para chegar à Casa Branca, são necessários 270 dos 538 votos do colégio eleitoral, órgão que finalmente decide o vencedor e que dá a cada estado um número de votos em função de seu tamanho e população.

Segundo as últimas projeções da "CNN", Obama tem 291 votos no colégio eleitoral, número mais que suficiente para levá-lo à vitória.

A última pesquisa do diário "The Washington Post" diz, inclusive, que se McCain vencer em todos os estados considerados sólidas fortificações republicanas e nos quais os eleitores têm leve preferência pela direita, ainda sim necessitaria de 23 mais votos para vencer.

Independentemente dos números, as campanhas reiteram seus argumentos finais nos temas que definiram esta campanha presidencial, a mais longa e cara da história, com um custo que se espera que ronde os US$ 2,4 bilhões.

Obama assegura, em seus últimos discursos, ser o único capaz de materializar a mudança em um país, enquanto vincula McCain à impopular Presidência Bush.

McCain, porém, aproveita os últimos comícios para se mostrar como patriota, alguém que deixa seus interesses de lado para servir o país e apresenta Obama como uma aposta arriscada para os bolsos dos americanos e para a segurança nacional. EFE tb/rr

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