Obama e McCain participam juntos de aniversário dos atentados do 11 de setembro

Os dois candidatos à eleição presidencial norte-americana, Barack Obama e John McCain, se preparam para observar juntos uma trégua excepcional na campanha por ocasião do aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001.

AFP |

Na quinta-feira, os dois adversários estarão em Nova York para recordar o sétimo aniversário dos mortíferos ataques, e ambos marcarão presença no Marco Zero, onde se erguiam as torres gêmeas do World Trade Center.

Depois das cerimônias, os dois homens reiniciarão a batalha até a eleição de 4 de novembro.

A desaceleração da economia e a ameaça de recessão constituem as maiores preocupações dos eleitores, mas a gestão do pós-11 de setembro segue sendo um tema crucial para a credibilidade política, num momento em que os Estados Unidos lutam em duas frentes, no Iraque e no Afeganistão.

"A política externa é certamente um tema muito importante desta campanha, porque a segurança nacional é um setor no qual os eleitores se dão conta do papel desempenhado pelo presidente, e é também o setor em que as diferenças entre as posições de McCain e Obama são as mais evidentes", explicou à AFP Michael Hanlon, especialista em segurança nacional da Brookings Institution em Washington.

No dia em que foram perpetrados os atentados contra o World Trade Center em Nova York e contra o Pentágono em Washington, Barack Obama era apenas um membro do Senado de Illinois (norte dos EUA).

O agora candidato democrata à Casa Branca qualificou a guerra no Iraque de "estúpida", e disse que este conflito impediu os Estados Unidos de se focalizarem no Afeganistão e nos verdadeiros autores dos atentados de 11 de setembro de 2001. Se for eleito, ele retirará as tropas norte-americanas do Iraque e reforçará o contingente militar dos Estados Unidos no Afeganistão.

Uma semana depois dos ataques, Obama escreveu uma coluna no jornal Hyde Park Herald, de Chicago, afirmando que a maior preocupação devia ser reforçar a segurança do território americano, melhorar os serviços de inteligência e desmantelar as "organizações de destruição" terroristas.

"Também precisamos nos dedicar à tarefa mais difícil, que é tentar entender a origem desta folia", escreveu Obama, muito antes de ganhar fama nacional com um discurso muito aplaudido durante a convenção democrata de 2004.

McCain, que defende há muito tempo uma presença militar reforçada no Iraque, está convencido de que uma retirada daria agora a vitória à Al-Qaeda, num momento em que o extremismo islâmico se encontra enfraquecido.

Na opinião do senador de Arizona, o Iraque representava uma ameaça terrorista para os Estados Unidos e para o mundo.

Entretanto, e apesar de ter prometido perseguir Osama bin Laden "até as portas do inferno", ele reprovou a sugestão de Obama de atacar células terroristas no Paquistão se o governo de Islamabad se recusar a agir.

Ao escolher o senador Joseph Biden como seu companheiro de chapa, Obama ganhou uma importante experiência em política externa, para compensar sua suposta inexperiência neste âmbito.

McCain fez uma escolha diferente com Sarah Palin, 44 anos, governadora do Alasca relativamente desconhecida e sem nenhuma experiência internacional.

Assim que foi escolhida, Sarah Palin criticou duramente Obama por sua oposição ao aumento de tropas no Iraque.

Quinta-feira, em Nova York, todas essas divergências serão silenciadas.

"Éramos todos unidos no dia 11 de setembro, não como democratas ou republicanos, mas como americanos. Nos corredores cheios de fumaça e nas escadas do Capitólio, nos bancos de sangue e nas vigílias, éramos unidos, como uma mesma família americana", escreveram os dois candidatos em um comunicado comum.


    Leia tudo sobre: eleições nos eua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG